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Amores à distância

Ana e Nuno disseram adeus numa estação de comboios, partiram para suas casas, nunca mais se viram, mantêm-se ligados pelas maravilhas da tecnologia. Mayank deita-se quando o sol nasce na Índia, para passar mais tempo com Sónia, que está em Vila Real. Isabel refugiou-se em Montalegre e Pedro vive em Ovar, sem poder sair da cerca sanitária. Romances em tempo de pandemia. Sem beijos. Sem abraços. Sem o toque.

Ana Miguel e Nuno Cunha perdem-se nos dias. Ele repete a pergunta: "Há quanto tempo não nos vemos?" E responde: "Não tenho bem ideia. Já vai há muito tempo, muito tempo". Os dedos das mãos não chegam para contar esses dias. "A universidade fechou há três ou quatro semanas, não nos vemos desde então", diz ela. Há um mês que não se veem olhos nos olhos, lábios nos lábios. Uma eternidade, parece-lhes. O amor continua à distância. A despedida não foi como deveria ter sido. Ninguém foi capaz de imaginar que a separação iria durar tantos dias, semanas, dobrar o mês. Nas suas cabeças, e corações, seria apenas mais um adeus, igual a tantos outros. Cada um ia para sua casa, Ana para Vila Nova de Gaia, Nuno para Braga. Mais uns dias e estariam juntos. Não foi assim, ainda não é assim. A Universidade de Aveiro anunciou que ia fechar em meados de março, meteram-se no carro do colega Afonso, fizeram o caminho do costume a partir do campus de Oliveira de Azeméis, onde estudam. Ana ficou na estação de comboios de Campanhã, despediu-se do namorado. Nuno e Afonso meteram-se no carro e seguiram viagem para Braga. Nuno confessa: "Foi uma despedida normal, como se fosse mais um fim de semana, não esperávamos que fosse tanto tempo". Ana desabafa: "No início, ninguém pensava que ia ser assim. Foi uma despedida muito fraca". Sem todos os dados em cima da mesa. Não sabiam, ninguém sabia. Nuno já perdeu a conta às vezes que lhe apeteceu meter-se no carro e ir ter com Ana. Trava a fundo. "Não pode ser, muito menos agora."

Conheceram-se na universidade, namorados oficiais há quatro meses, há mais meses neste amor. Ana, 19 anos, está no 2.º ano do curso de Design de Produto e Tecnologia. Nuno tem 20 e está no 2.º ano de Tecnologias e Sistemas de Produção. As seis dezenas de quilómetros, mais coisa menos coisa, que os separam não esmorecem o amor. Fazem planos à distância, há já uma viagem apalavrada a Amesterdão para o próximo ano, trocam mensagens no telemóvel, no WhatsApp, enviam imagens pelo Snapchat, veem séries juntos, fazem videochamadas quando dá vontade. Não há horas marcadas para os contactos tecnológicos. "Falamos o dia todo, todos os dias, quando vem à cabeça", admite Nuno. "Estamos constantemente ligados o dia todo, ligámo-nos do nada, quando nos dá na telha", conta Ana. Há bons dias ao acordar, boas noites ao deitar. E tanta conversa pelo meio.

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