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As barbearias estão a mudar de visual

As barbearias estão a mudar de visual

As barbearias clássicas estão em vias de extinção, mas recusam morrer sem dar resistência à modernidade dos novos espaços do género. Com muitas histórias para contar, até sobre figuras públicas que as continuam a preferir, resiliência é a palavra de ordem de uma classe que reclama lugar no mercado. Sem condenar as novas gerações.

José Pinto não fala, é uma rima constante em movimento agitado. Camisa e calças pretas, olhos vivos em 1,65 m de gente, 74 anos que o rosto em permanente sorriso não denuncia, mais de meio século de ofício de barbeiro no corpo. Cada dizer seu é um ensaio de quadra popular. Dá as boas-vindas a um homem de meia-idade que entra na Barbearia Invicta, senta-o numa das cadeiras cinzentas que fazem pendant com o chão brilhante da mesma cor, pergunta-lhe ao que vem e dispara um improviso: "Com licença, tenho um prazer imenso em estar em sua presença".

Assim são os dias na Invicta, aberta desde 1968 num primeiro andar da Praça Carlos Alberto, coração de um Porto onde sobram turistas e vai faltando gente que o habite. Um clássico que vai resistindo ao boom das novas barbearias, as barber shops da moda e do momento, menos formais no aspeto e mais alargadas no conceito, mais modernas de alternativas e menos antigas na média etária dos clientes. Algumas com pequenos bares e mesas de bilhar que atenuam horários de espera, outras com música ambiente à escolha do freguês, muitas com tudo isso e outros pequenos aperitivos que fazem esquecer o que se convencionou sobre o que deve ser uma barbearia, como toalhas quentes e frias para fazer a barba, cremes e afins.