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Cuidar de quem perde a memória

Cuidar de quem perde a memória

A demência é progressiva e irreversível e deteriora a atenção, a linguagem, o pensamento. Os desafios são constantes e diários. A Alzheimer Portugal tem gabinetes de apoio e o Café Memória para quem quiser partilhar o que vem de dentro.

"O humor oscila, a doença evolui, às vezes me olha e me reconhece, outras vezes não, é tudo muito rápido. Às vezes, está triste, às vezes chora, e não entendo porquê." Jaqueline dos Santos cuida da mãe, de forma diária e direta, há mais de dois anos. Em julho de 2019, deixou o emprego, era gestora de recursos humanos nas Finanças, pediu a reforma antecipada aos 52 anos, mudou-se de Porto Alegre, Brasil, para Lisboa, com a mãe e o marido. A mãe tem 83 anos, sofre de demência por corpos de Lewy, perda progressiva da função cerebral, a memória apaga-se, a mobilidade diminui. "Quase já não caminha, não consegue estar de pé sozinha." Jaqueline tornou-se cuidadora a tempo inteiro e cuidar é um ato de amor. "Por amor, por gratidão, por tudo o que fez por mim. Devo tudo a ela, é o mínimo que podia fazer."

A mãe, por vezes, tem alucinações, vê bichos em copos de água, palhaços em folhas de árvores caídas no chão, animais perigosos, cobras prontas a atacar. Há noites em que acorda aos gritos. Pergunta muito pela mãe que já morreu, vê familiares falecidos nos bailaricos dos programas de televisão. As conversas são cada vez mais curtas, incapaz de elaborar frases, vai repetindo palavras. "A gente aprende todos os dias, hoje faço coisas que não imaginava fazer, faço o que a doença impõe. A gente vai aprendendo a lidar com cada etapa da doença." Um dia de cada vez.

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