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Dez horas e quatro comboios: a viagem possível entre Lisboa e Madrid

Dez horas e quatro comboios: a viagem possível entre Lisboa e Madrid

Os atrasos no Ferrovia 2020 e a falta de aposta na alta velocidade levaram a que, em 2021, Portugal esteja mais isolado do que nunca em termos ferroviários. Viajar sobre carris entre as duas capitais ibéricas exige mudanças, paragens e tempo livre de sobra para passar dentro das automotoras.

Com Lisboa e Madrid separadas por 600 quilómetros, as melhores práticas recomendariam que a viagem fosse feita de comboio. Mas não há ligação direta. Quem se atrever a fazer a deslocação em via ferroviária tem de se preparar para a aventura, munir-se de paciência e ter uma boa dose de tempo livre. Em 2021, a única viagem possível sobre carris entre as duas capitais ibéricas leva mais de dez horas e implica mudar de comboio três vezes. No início, a culpa foi da pandemia. Mas desde março do ano passado que não há uma ligação ferroviária direta entre Lisboa e Madrid porque o Lusitânia Comboio Hotel foi suspenso e não tem havido vontade (ou capacidade) do Governo português em convencer "nuestros hermanos" (que neste particular têm sido muito pouco irmãos) a retomar aquele serviço que era uma parceria entre a CP e a Renfe.

A nossa viagem começa em Santa Apolónia às 8.45 horas numa sexta-feira de maio. Até ao Entroncamento, viajamos numa automotora que os ferroviários apelidam ironicamente de "Lili Caneças". É velha, mas parece nova. As UTE (Unidades Triplas Elétricas) foram construídas na Sorefame nos anos 60 do século passado, mas foram sujeitas a um rejuvenescimento em 2003, que lhes deu um ar mais moderno, além de um óbvio aumento do conforto. Podem circular a 120 km/h e têm capacidade para 264 passageiros. Circulam hoje em praticamente todas as linhas eletrificadas a norte do Tejo, assegurando sobretudo ligações regionais.

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