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Há cada vez mais mulheres a falar de futebol nas televisões

Há cada vez mais mulheres a falar de futebol nas televisões

São cada vez mais as mulheres da televisão que estão ligadas ao futebol. O assunto nem devia ser assunto, dizem. Mas é. Porque a desconfiança face ao conhecimento que têm do jogo ainda paira. Porque ainda há quem ache dadas perguntas demasiado boas "para uma menina". Porque ainda há um longo caminho a percorrer.

Rita Latas, 28 anos, tinha uns dez quando fez da bola caso sério. Lusitano Ginásio Clube, em Évora, futebol de sete, um magote de moços e ela lá pelo meio, única miúda da equipa. A singularidade não a assustava, nunca a deteve, nunca se sentiu um corpo estranho. Dizia até ao pai que havia de ser a primeira mulher a jogar numa seleção de homens. Para os outros não era bem assim, a estranheza andava lá, impregnada na cabeça dos adultos, inculcada na dos miúdos. Num meio pequeno ainda mais. Lembra-se dos comentários dos outros pais. "Como é que uma rapariga é titular", "porque é que ela está no meio dos rapazes" e outros que tais. O resto conta-lhe o pai. Que no princípio chegava muitas vezes a casa a chorar porque os meninos não lhe passavam a bola. Não haveria de ser sempre assim. Com o tempo, os pais começaram a elogiá-la, os colegas a enturmá-la. "Primeiro estranha-se, depois entranha-se", atira, como lema daqueles primeiros tempos de futebolista.

Haveria de jogar, futsal sobretudo, até aos 23 anos. Entretanto, fez-se jornalista. Na premissa de fazer desporto, pois. Estreou-se n"A Bola TV, saltou para a Sport TV. E aquele lema da meninice a aplicar-se também à vida profissional. A princípio, sentiu "alguma desconfiança". Passageira. "Como viram que tinha um background ligado ao futebol e que percebia, naturalmente começaram a ver-me como igual. Os colegas ajudaram-me imenso e fui tendo todas as oportunidades." Reportagens, diretos, pista, conferências de imprensa, flash interviews, jogos mais e menos sonantes, um pouco de tudo. E foi já quando se sentia como peixe na água que o estigma voltou a pairar. Desta vez, alimentado por um protagonista altamente mediático. Estávamos nos últimos dias de novembro do ano passado quando o Benfica foi aos Barreiros vencer o Marítimo por 2-1, numa exibição periclitante. No final, Rita Latas, encarregue da flash, questiona o técnico dos encarnados sobre a qualidade da equipa. Ou a falta dela. Jorge Jesus empertiga-se. "Não tenho a mesma opinião que você. Também é natural, porque você não sabe o que é muita qualidade sobre futebol, mas pronto." E prosseguiu a análise à partida como se nada fosse. Mas o rastilho da polémica já corria Internet fora, com múltiplas acusações de machismo (posteriormente negadas pelo técnico).

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