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Incendiários e "doutores"

Recentes detenções contrariam os últimos estudos realizados e revelam incendiários com formação superior ou conhecimentos técnicos avançados, que recorrem a estratégias de contravigilância para iludir as autoridades. Polícia Judiciária só apanhou engenheiro eletrotécnico ao fim de três anos de uma investigação que envolveu escutas telefónicas, vigilância de espaços comerciais e colocação de pequenas marcas em lâmpadas usadas em engenhos eletrónicos produzidos para cometer os crimes.

Poucos dias antes de ser detido, Nelson Afonso foi apanhado numa escuta telefónica a apelidar de "bandidos" os responsáveis do incêndio que ele próprio tinha ateado. Na conversa captada pela Polícia Judiciária (PJ) referia também que os "autores" do fogo florestal se teriam inspirado nos gigantescos incêndios que, pouco antes, tinham destruído parte significativa da Serra de Monchique. Mas no dia em que foi detido pelos inspetores da Judiciária, 19 de julho de 2021, o engenheiro eletrotécnico residente na Sertã confessou, quase de imediato, ter sido ele quem montou os dispositivos eletrónicos que provocaram o fogo que criticou no telefonema escutado. Pormenorizou ainda os locais onde dispôs os engenhos incendiários na mancha florestal, o modo e o processo de fabrico, os componentes que utilizou na construção e a programação, com uma antecedência de 48 horas, dos equipamentos que causaram o fogo.

E justificou o crime com o trauma de ter assistido à morte do pai, ocorrida cinco anos antes, num acidente do trator em que ambos seguiam. Perante os inspetores, Nelson Afonso negou qualquer premeditação dos atos criminosos, alegando que era assaltado por uma "ideia repentina", "um assomo" que o levava, inadvertidamente, a fabricar e a esconder na floresta os equipamentos eletrónicos.

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