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Daniela. O reencontro com a última menina que estudou na escola de Sambade

Daniela. O reencontro com a última menina que estudou na escola de Sambade

Portugal vazio. O som de uma chave a dar a derradeira volta na fechadura de uma escola que morreu por falta de quem ali se emboldregasse. Uma cucha, chamava-se Boneca. E Daniela, que nos reencontrou porque a recordámos. Uma história em flashback. Uma história com 13 anos. Uma história simples.

2006. Está frio, é fevereiro, a encomenda da Redação é correr atrás do fim da história de infâncias como a de Daniela, ainda não sabíamos quem era Daniela, só que era a única menina da sala. Era a única aluna da turma. Era a única criança da escola. E era a última. Parámos em Sambade, no limite do frio mais frio que é daí para cima, pelas curvas da Serra de Bornes, a caminho do mais belo abraço a Trás-os-Montes.

Foi no ano em que Lisboa mandou encerrar centenas de salinhas, porque o longe faz-se perto quando não há gente para encher bancos da escola do largo. Daniela ali está, dez anos, a esforçar-se estupidamente num exercício qualquer para evitar olhar para os forasteiros, que diabo, a vida dela é só ela e Hermínia, Maria Hermínia Tiago de Sá Vilares, Vilares da aliança. E, naquela altura, Boneca, a cadela que a avó lhe confia enquanto viaja para algures, a cadela que a segue, fiel, e fica sentada no sol que lava as escadas de granito da velhinha escola de Sambade, em Alfândega da Fé.