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Algarve: o início da capital do turismo

Algarve: o início da capital do turismo

Um presidente da República confundido com o homem dos gelados, os ingleses aos magotes a hastearem a bandeira britânica na Praia da Luz, os pescadores que, no verão, encostavam os barcos e viravam banheiros, um "brasileiro maluco" que se lembrou de construir um campo de golfe com 27 buracos, um aeroporto que mudou para sempre o destino de uma região. Como o Algarve se tornou... o Algarve.

Aquele 11 de julho de 1965 amanheceu em Faro com pompa e circunstância. O caso não era para menos. Américo Thomaz, presidente da República, tinha-se deslocado até ao (então) remoto distrito de Faro para inaugurar o aeroporto. A efusividade era tal que em São Brás de Alportel, onde o chefe de Estado ficou hospedado, a população algarvia o brindou com papelinhos às cores e pétalas.

Havia colchas nas janelas. Nem a banda faltou, para entoar o hino nacional. Na chegada ao aeroporto, no "automóvel presidencial aberto", centenas de pessoas aguardavam Américo Thomaz. Entre os muitos relatos desse dia, há uma história que se foi eternizando no boca-a-boca algarvio. A de uma senhora que, apanhada de surpresa pelo aparato, exclamou: "Olha, o homem dos gelados vai ali no meio da polícia".