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Eunice Muñoz: "Não tenho a certeza se gostava de ser fisicamente imortal"

Eunice Muñoz: "Não tenho a certeza se gostava de ser fisicamente imortal"

A miúda saltimbanca e torta. O teatro no sangue. A primeira noite no D. Maria. A avó Augusta e Rey Colaço. O afastamento dos palcos e o regresso, com Joana d"Arc. Os pesadelos. A amizade com Carmen Dolores e João Perry. As fãs apaixonadas. A voz e a mestria dos silêncios. O Alentejo. O envelhecimento ou a idade de ver outras coisas. Os filhos e os netos. E o palco, sempre.

Eunice recebe-nos à porta pelo início da tarde. Vestida de forma sóbria e elegante, pérolas no pescoço. Uma conjugação perfeita de sombra e de luz, como numa fotografia a preto e branco. O rosto é um rasgo.

Na pequena sala ao fundo do corredor, profusamente decorada, onde vivem memórias de família e de viagens, um relógio marca o tempo em poderosas badaladas. É uma casa cheia de história e de vida, onde o cinema português e o teatro nacional desfilam em cartazes pelas paredes. Kitti, a gata, assiste à entrevista espreguiçada nas costas do sofá, flirtando com o sol que chega de uma varanda florida.