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Lítio: o medo mora em Trás-os-Montes

Lítio: o medo mora em Trás-os-Montes

Nas entranhas do subsolo de Montalegre e Boticas, há um metal precioso cada vez mais usado nas baterias. Num dos maiores depósitos da Europa, a extração mineira é uma forte possibilidade. As populações batem o pé, atormentadas com o que aí virá: poeiras, contaminação de rios, destruição de baldios. Desígnio nacional ou luta sem fim?

Três mulheres encontram-se numa rua da aldeia de Morgade, em Montalegre, distrito de Vila Real, deitam o olho a uma árvore de cerejas brancas, apanham-nas em cachos às mãos cheias, comem-nas devagar e, com a barragem do Alto Rabagão nas costas, falam do que aí virá.

"Não queremos poluição, se não íamos para a cidade", diz uma. "Levam a água toda e ficamos sem nada. Como vão ficar as nossas terras? Como vão ficar as nossas águas? É uma tristeza", atira a outra. E mais uma acha para a fogueira. "Não queremos a mina, vamos lá ver o que acontece. Com 300 metros de fundura, fica tudo sem água. Temos medo, claro que temos medo. Como vão ficar as nossas hortas?". Não querem nomes, não querem fotos, partilham consumições.