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Presos e sozinhos

A Justiça condenou-os. A sociedade rejeitou-os. Homens e mulheres, reclusos, ancorados a histórias de vida que deixam marcas. Sem visitas que apaguem a solidão.

O burburinho já se ouve nos corredores. O parlatório, visível através de uma passagem envidraçada, está repleto de famílias das mulheres cuja morada temporária é a cadeia. É sábado de manhã, dia de visita no Estabelecimento Prisional de Santa Cruz do Bispo, em Matosinhos, mas nem todas as reclusas são chamadas à sala. Muitas ficam nas alas, a inventar formas de passar o tempo.

Perde-se a conta às portas que é necessário abrir para chegar à Ala 3. No fundo das escadas, o volume baixo das vozes é aumentado pelo eco do átrio. Joga-se às cartas e ao dominó, passa-se a ferro, conversa-se. Há quem simplesmente observe o céu encoberto através da janela. Nenhuma destas reclusas teve visita e há quem não receba ninguém há meses.