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Redes sociais: da opinião ao insulto em três comentários

Redes sociais: da opinião ao insulto em três comentários

Religião. Política. Futebol. Alterações climáticas. Parentalidade. Educação. Tudo se discute nas redes sociais e todos têm uma opinião. Mas, com demasiada frequência, as trocas de ideias descambam em discussões violentas.

A mecânica é quase sempre a mesma. Começa pela ideia de fazer só um comentário a um post, uma nota breve, uma opinião ali deixada entre os afazeres realmente importantes do dia. Só que, horas depois, um comentário transformou-se em 20 comentários. A calma deu lugar a uma indignação crescente que não deixa ninguém ir dormir descansado enquanto houver alguém com uma opinião diferente. O conteúdo das respostas começa a ter pouco que ver com o assunto inicial e passa à ofensa espúria. E ganhar a discussão com desconhecidos transforma-se numa questão de vida ou morte, que ignora as regras básicas da civilidade e educação.

O psiquiatra e professor da Harvard Medical School, Adam P. Stern, usa uma analogia do quotidiano para explicar o fenómeno: no dia-a-dia, uma das situações em que mais frequentemente ficamos exaltados a despropósito é quando estamos ao volante e outro condutor faz uma manobra perigosa. O que fomenta essa resposta emocional excessiva e colérica é a distância e o anonimato: a única coisa que sabemos sobre o outro é que ele se atravessou à nossa frente, colocando-nos em perigo.

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