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Suor, tendas, freimas. E muita mística

Suor, tendas, freimas. E muita mística

A vida nas feiras é dura. Carregar carrinhas e camiões, sair de casa antes do sol nascer, montar tendas, descarregar mercadorias, enfeitar bancas, esperar pela clientela, desmontar, regressar a casa já de noite. O negócio não está famoso, a concorrência é agressiva, mas a tradição mantém-se de pé. Resiste-se à sombra das grandes superfícies para sobreviver. Aqui compra-se (quase) tudo, regateiam-se preços, encontram-se pechinchas. E é disso que o povo gosta.

Adelaide Ribeiro, de 70 anos, faz marcha-atrás, estaciona a carrinha, tira sacos e caixotes de roupas de homem e senhora, coloca algumas peças em cruzetas que pendura num ferro que atravessa a sua tenda. São seis e um quarto da manhã e a feirante já está acordada há três horas. A banca está quase montada, é preciso colocar tudo direitinho e bonitinho para a clientela.

É o que faz há 40 anos na feira de Espinho, e também nas feiras dos Carvalhos, às quartas, e de Lourosa, aos sábados. Os gestos são mecânicos numa arrumação que sabe de cor e salteado. É a freima desde os tempos de solteira, o desenrasque feito numa família de 19 irmãos.