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Uma noite de verão na única arena de touros do Algarve

Uma noite de verão na única arena de touros do Algarve

Um forcado do Montijo falha uma vez, outra vez, à segunda voa, só à terceira exulta. Uma cavaleira grita à cara do touro brados de "ró-ró-ró", rá-rá-rá". Quatro holandeses entediam-se de horror mas festejam, enquanto fazem horas para ir dançar. Há famílias nas bancadas, crianças abaixo da idade escolar. Uma ativista, mesmo depois de agredida, vai todas as semanas protestar. Uma noite de verão no Algarve.

Resumindo: "É uma bonita tradição e muito antiga, é uma coisa cheia de honra, de louvor, eu não gosto, eu adoro", dizem as namoradas dos forcados, aficionadas, a vê-los de cima da primeira fila. "É um espetáculo para trogloditas, para quem não quer evoluir", dizem os ativistas antitourada plantados num protesto de silêncio fora da Praça, são sarcásticos: "E o comércio negreiro dos escravos, não era também uma bonita tradição, e de belos rendimentos, desde os anos de 1500?".

Ninguém é indiferente à tourada, sobretudo o touro, único animal senciente que vai ali para sangrar. Uma família de férias leva crianças a ver os touros, um dos miúdos tem só cinco anos, é a sua primeira vez, ele não saberá o que dizer, tem um ar espantado ou então está com frio ou então está com sono ou então todas as três. "É da emoção", diz o tio dele por ele, Feliciano Matias, que é da Amora, Seixal. "É a idade com que eu vim há muitos anos, também me estreei novinho a ver tourear."