Premium

Não é tanto a pandemia. É mais o que os rodeia

Não é tanto a pandemia. É mais o que os rodeia

Contexto familiar e forma como a covid-19 é "desmontada" determinam potenciais consequências dos tempos de crise sanitária global nos mais novos.

Caso um. Em conversa com a psicóloga, uma criança questiona, inconformada: "Mas se as creches já abriram, até os restaurantes, porque é que não posso ir para a minha escola? Tenho saudades de estar com os meus amigos e com os meus professores". Caso dois. Um menino vai com os pais visitar o novo primo. Lá chegado, recusa entrar. Mesmo com máscara. Explicação: tem medo de infetar o bebé. Caso três. Uma criança já com antecedentes da ansiedade verbaliza a angústia que lhe tolhe o peito: "E se os meus pais, como continuam a trabalhar fora, ficam doentes e morrem?". Caso quatro. Uma menina, fechada em casa há semanas para proteger o irmão que sofre de doença neoplásica, desabafa: "Estou farta de estar rodeada de mim mesma". Estes e outros casos têm chegado a gabinetes de psicólogos e pedopsiquiatras pelo país fora. Em tempos de covid, de semanas a fio de confinamento, de suspensão das aulas presenciais e atividades extracurriculares por tempo indeterminado, a pergunta emerge: que impacto pode a pandemia ter nos mais pequenos?

A questão encerra uma miríade de nuances, do contexto familiar a possíveis históricos de ansiedade e transtornos obsessivo-compulsivos. Ou simplesmente à faixa etária em causa.

Outras Notícias