Premium

O dia em que a deficiência muda a vida

O dia em que a deficiência muda a vida

Rafael e Catarina têm paralisia cerebral. Tiago é deficiente profundo. Santiago e Francisco são irmãos e têm autismo. André possui uma má formação congénita no cérebro. David é tetraplégico. Seis histórias de pais a quem o diagnóstico inesperado de deficiência veio defraudar o sonho de ter um filho saudável.

Quando abandonou o gabinete do médico que lhe acabara de dizer que o filho tinha paralisia cerebral, Cristina Capela, 47 anos, a viver no Algarve, não deixou cair uma lágrima. Fê-lo mais tarde, numa sala próxima, até ficar de joelhos no chão. Rafael tem 13 anos e nasceu prematuro às 29 semanas. O diagnóstico só surgiu dois meses depois de estar internado e perante a insistência da mãe, que achava que algo não estaria bem. "Chorei compulsivamente. Foi como se parte da vida que havia planeado tivesse morrido ali, naquele momento."

Depois da alta hospitalar, um novo choque aconteceu na primeira consulta de neurologia, já com os resultados de uma ressonância magnética que indicava o grau das lesões. "Não vale a pena procurar curas milagrosas para o seu filho e viver em função dele. O Rafael não vai ver, ouvir, falar, nem ter mobilidade. Por agora, ainda não tem epilepsia, mas vai ter. Daqui a dois meses volto a vê-lo." Lembra-se das palavras cruas como se fosse hoje. "Foi horrível. Não se diz isto a uma mãe sem se saber se ela tem estrutura psicológica para aguentar." Passado o impacto, explica que ganhou "uma força derivada de uma revolta incalculável que dura até aos dias de hoje", partilha.