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O país que se agarra à rádio para fugir ao isolamento

O país que se agarra à rádio para fugir ao isolamento

O papel comunitário é evidente (há um estudo que o comprova), o alcance ultrapassa sintonias e frequências, o impacto é tremendo. Os ouvintes contam como é. É uma companhia que preenche os dias, uma família que se constrói e consolida, uma terapia que contorna a tristeza e a solidão. Os alicerces são simples, mas robustos. E elas, mês após mês, resistem, sobrevivem, e fazem milagres.

Todos os dias, faça chuva ou faça sol, no verão é mais pela fresca, por volta das cinco e meia da manhã, no inverno, um bocadinho mais tarde, normalmente depois das nove, Mário Augusto Brás sai de casa em Passos, Mirandela, para levar o rebanho a pastar. São 83 cabras de várias cores, russas, brancas, castanhas, que andam pelos montes à procura do melhor pasto. "São as minhas meninas."

O pastor, de 64 anos, leva sempre o rádio atrás. Há tempos, andava com dois telemóveis, um para ouvir a Onda Livre, rádio de Macedo de Cavaleiros, outro para ligar para a estação para pedir músicas e fazer dedicatórias. Um dos aparelhos avariou, agora leva um transístor que não precisa de pilhas, tem bateria, carrega com eletricidade. Volta e meia, no monte, a rede falha. Nada que o desestabilize. "A rádio, para mim, é fantástica, é mais do que uma família. Ouço todos os dias, quase sempre ligo e, quando calha, põe-nos a falar uns com os outros, apesar de não nos conhecermos. Estamos sempre em contacto, o que é muito interessante."

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