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O verão sem música dos cantores ligeiros

O verão sem música dos cantores ligeiros

Um ano sem arraiais e romarias, concertos cancelados, espetáculos adiados. Os cantores de música ligeira não amocham. E como vivem este confinamento? Quim Barreiros tem ido à pesca. Ágata abriu um espaço de terapias alternativas e faz reiki. Nel Monteiro vende carros e arruma a casa. Toy explora as plataformas digitais e tem quatro novos temas. Ana põe batom e espera comemorar os 40 anos de carreira.

Quim Barreiros sabe exatamente o número de concertos que foram adiados para o próximo ano: 124 espetáculos que, de repente, desapareceram da sua agenda. Queimas das fitas, arraiais, romarias, festas populares por todo o país. Claro que para um homem que anda na estrada há meio século, todos os anos, tudo isto é estranho. "Tenho a impressão de que ando noutro planeta. Não há trabalho, não deixam trabalhar uns, outros trabalham, é confuso."

Há dias em que se sente, confessa, como "um tolo no meio da ponte". A pandemia encravou-lhe a altura mais ocupada e agitada do ano. "A gente está habituada a andar com a gaita e agora a gaita está metida no saco. É o diabo." Um diabo que chegou sem pedir licença e que complicou a vida dos artistas. "Há muita gente da minha profissão, gente que colabora comigo, que não está bem, que está em maus lençóis." Parados, suspensos, coração nas mãos. "Tenho de me conformar, não é só comigo, é com todos. Mas há uma coisa muito importante: estamos vivos e vamos tentando andar para a frente."