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Os emigrantes voltam à terra e há festa e há negócio

Os emigrantes voltam à terra e há festa e há negócio

Em Queiriga, fala-se francês, a taberna está cheia, a população quintuplica. Em Coelhoso, a hora de deitar estende-se pela madrugada. Em Santulhão, os carros com matrícula estrangeira encostam-se às casas de pedra. Em Lamas, há fitas a anunciar música e bailarico. São saudades, são férias, é diversão, é a economia a girar. Um sopro de vida em quatro aldeias do país.

É o primeiro dia de agosto, montam-se os ferros das barracas no quintal do padre para as festas, a do emigrante foi quinta-feira passada com Quim Barreiros a fechar a noite, este domingo é a de Nossa Senhora da Saúde, há missa e procissão, romaria e música. O palco será montado na estrada, 12 metros de largura por 12 metros de comprimento, trânsito cortado. A meio da manhã, está quente e a temperatura há de bater nos 40º graus em Queiriga, a aldeia mais francesa do país, concelho de Vila Nova de Paiva, distrito de Viseu, centro do país. Com a chegada dos emigrantes, a população de 500 residentes quintuplica, ou até mais, provavelmente chegará aos três mil. E só se fala uma língua.

"Agora é preciso falar francês", avisa Augusto Costa, o único taxista e o único sapateiro em Queiriga. O táxi está estacionado à porta da sua oficina-sapataria com máquinas antigas, tudo a funcionar, garante. É um verão de muito trabalho. Trazer e levar emigrantes ao aeroporto, 160 quilómetros, uma hora e quarenta e cinco minutos até ao Porto, telefonemas de França para combinar horários, um leva e traz constante. "É muita malta, 70% da população está emigrada, sobretudo em França. Muita gente vem de avião, muitos vêm de carreira, multiplica-se o serviço do táxi, aumentam os consertos dos sapatos, trazem às sacadas para arranjar aqui." As prioridades estão definidas. Primeiro, o táxi, depois, os consertos. "Os sapatos podem esperar."

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