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Quem vê caras, vê identidades

Quem vê caras, vê identidades

As câmaras estão nos aeroportos, nos nossos telemóveis, nas ruas. A tecnologia de reconhecimento facial encontra-se em franca expansão, à boleia dos avanços na inteligência artificial. Apesar disso, continua a haver duas questões essenciais por resolver: uma técnica - a fiabilidade - e outra ética - a privacidade.

O reconhecimento facial tem indiscutivelmente muitos benefícios. Uns mais prosaicos, como eliminar filas nos aeroportos; outros muito relevantes, como encontrar pessoas desaparecidas ou vítimas de tráfico humano. Mas há outros exemplos que expõem as suas fragilidades. Primeiro: os sistemas de visão computacional tinham, até há pouco tempo, dificuldades de distinguir um bolinho de passas do focinho de um chihuahua. Segundo: na China, o reconhecimento facial parece estar a ser usado, entre outros, para perseguir minorias religiosas e étnicas. Ou seja, a tecnologia levanta questões de fiabilidade e éticas.

Mas, afinal, como funciona esse sistema que é olhado com entusiasmo por uns e com desconfiança por outros? Henrique Santos, professor associado da Universidade do Minho em áreas como Segurança em Sistemas de Informação e Presidente da Associação Portuguesa de Proteção de Dados, explica-o assim em traços largos: obtêm-se imagens da face de cada sujeito, identificando alguns pontos característicos e relações geométricas entre eles - os chamados padrões biométricos; essa informação é armazenada associando-lhe a identidade da pessoa e, posteriormente, quando uma nova imagem da face é adquirida, são analisados os mesmos padrões, que são comparados com os que estão armazenados. "A diferença entre eles é avaliada e devolve um "score" que traduz a semelhança, se estiver acima de um limite definido, o resultado é considerado como uma verificação positiva. Atualmente, as funções de comparação de padrões podem usar técnicas de Inteligência Artificial, como as redes neuronais", completa o especialista.

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