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Tiago Guedes: "Milito pela quebra do elitismo na arte"

Tiago Guedes: "Milito pela quebra do elitismo na arte"

Nos últimos cinco anos, Tiago Guedes reinventou o Teatro Municipal do Porto, tornando a programação indissociável da vida da cidade. Na semana em que inaugura a sexta temporada com a sua assinatura, o diretor artístico faz o balanço do seu percurso e antecipa os momentos altos da agenda que se segue.

Ainda há uma torta tentação para evocar o passado do Rivoli quando se quer pesar o presente do Rivoli. A história é conhecida: 12 anos de estio, vazio, ocupação, rivolução a desenhar num tecido cultural outrora robusto uma cicatriz que o tempo atenua mas não apaga. Isolada, a obra erguida no Teatro Municipal do Porto depois de 2013 tem valor absoluto, mas comparada é incomensurável.

Esse exercício que oscila entre a comparação e a tentação, e a que muitos não conseguem resistir, não assiste, contudo, a Tiago Guedes - o rosto da reinvenção daquele equipamento. Até porque quando olha pelo retrovisor, o diretor artístico selecionado através de um concurso público no verão de 2014 vê sobretudo cinco anos rutilantes: quase 600 espetáculos apresentados, mais de seis mil atividades, 600 mil pessoas na plateia representando uma taxa média anual de ocupação de 90%, e o regresso de uma presença assídua e assediada dos artistas e das companhias da cidade no circuito internacional das artes. Por isso, pela primeira vez em vários anos, é possível voltar a abordar o presente do Rivoli antecipando o seu futuro próximo e não discorrendo sobre o seu passado distante. Tréguas.