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Zoonoses. Quando os animais são o paciente zero

Zoonoses. Quando os animais são o paciente zero

Desflorestação, alterações climáticas, crescente mobilidade internacional e progressivo envelhecimento da população mundial estão entre os fatores potenciadores das doenças que saltam do reino animal para as pessoas. Solução é complexa, mas nem tudo são más notícias.

A notícia soa a estranho déjà-vu. Há um novo vírus a atacar em vários países. Outra vez de consequências imprevisíveis (sobretudo no que à escala da disseminação diz respeito). Outra vez de origem animal. Em Portugal, a meio da semana, havia já dezenas de casos confirmados. Serão seguramente mais na altura em que este artigo for lido. Do monkeypox - também conhecido por varíola-dos-macacos - sabe-se que foi identificado pela primeira vez num ser humano na década de 1970. Que já tinha havido pequenos surtos em vários países de África, nomeadamente na África Central e Ocidental. Que pode causar febre, dor de cabeça, dor musculares, inflamações nos nódulos linfáticos, exaustão. E muito comummente lesões cutâneas que provocam acentuada comichão. Que a primeira vez que ocorreu um surto fora do continente africano foi em 2003, nos Estados Unidos. E que na altura os grandes transmissores terão sido animais domésticos que tinham estado em contacto com roedores infetados, importados de África. Que apesar de também se transmitir entre humanos, nomeadamente através de gotículas respiratórias e lesões cutâneas, o "paciente zero" será sempre animal.

E voltamos ao déjà-vu. E ao SARS-CoV-2. E ao ébola. E à gripe suína. E à gripe das aves. E a tantas outras doenças recentes que tiveram o reino animal como ponto de partida. As chamadas zoonoses. A cadência lança uma série de questões. Que enfermidades são estas? Porque é que ouvimos falar cada vez mais delas? O que é que o futuro nos reserva? E haverá forma de melhorar o combate a estas doenças? Por partes. A começar pela aparentemente óbvia, mas ainda assim importante, definição de zoonose. E que, de forma breve e simples, é uma doença dos animais que pode passar para os humanos. Depois, o desfazer de um possível equívoco. Não é de todo uma novidade dos tempos. "Historicamente, sempre existiram", esclarece Paulo Paixão. O virologista lembra as bruceloses. A própria peste, que teve origem nos ratos. "A questão é que hoje estamos mais alerta e diagnosticamos mais."

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