Opinião

Olhar o céu!

Dizem os noticiários que a agência aeroespacial norte-americana (NASA) lança esta semana uma sonda que deverá aproximar-se do Sol mais do que nenhuma outra até agora. Vai a 200 quilómetros por segundo!

Isto, quando faz hoje anos que assinalam o regresso à Terra dos três astronautas que pela primeira vez chegaram à Lua. Parece que foi ontem. Por cá, naquele julho de 69, a luta estudantil irritava a ditadura e Manuel António, da Académica, chegara a melhor marcador do campeonato, à frente de Eusébio. Por aqueles dias, no entanto, os olhos de milhões iam para as televisões, a preto-e-branco, testemunhando os primeiros passos da aventura lunar que inscreveria na História os nomes de Armstrong, Collins e Aldrin.

O que antes fora ficção era agora a demonstração de um enorme poderio tecnológico e científico que, acreditávamos, decerto corresponderia a um avanço civilizacional. A Lua, essa deusa celeste, estava agora ao nosso alcance. E a ideia de poder visitá-la era apenas o primeiro passo de um futuro cheio de viagens espaciais que nos levariam a todos os recantos do Universo.

Doravante, a humanidade e os seus maiores feitos, depois dos Descobrimentos portugueses, seriam representados pela pegada de um astronauta, e as nossas mãos podiam tocar o céu. As crianças que então éramos sonhavam com aventuras espaciais, talvez encontrar outros seres inteligentes que nos quisessem conhecer.

Com o tempo, porém, demos conta de que ninguém viria. O pobre planeta que habitamos, atulhado em lixo e sufocado pelas guerras, com nações inteiras a fechar fronteiras, construir muros e separar famílias, não é, afinal, o melhor destino para extraterrestres. Valha-nos a NASA para distrair das tropelias deste Mundo. Em especial as do seu próprio presidente. Era lançá-lo em órbita, e levar com ele alguns outros cromos que, deixem-me piscar-vos o olho, lhe podemos oferecer de companhia.

DIRETOR