Opinião

Os números do euromilhões

Os números do euromilhões

Mais de nove milhões de universitários europeus, entre os quais 211 mil portugueses, estudaram noutro país da União nos últimos 30 anos, ao abrigo do Erasmus. Criado em 1987, este programa de apoio e estímulo à mobilidade académica entre estados-membros da União Europeia permite que os alunos façam uma parte das suas licenciaturas em universidades de outros países, por um período de tempo entre três e 12 meses.

O balanço de três décadas é altamente positivo. A cada vaga de admissões, o programa tem aberto portas a milhares de jovens e ajudado a criar uma nova geração de europeus. No último ano, Portugal acolheu quase 14 mil estudantes estrangeiros, enquanto mais de 8 mil universitários portugueses tiveram oportunidade de viajar e estudar no estrangeiro. São gente nova e nossa, que aprende a conhecer a Europa sem ter que passar fronteiras nem ter que pedir autorização para viver noutro país.

Quando as nossas vidas ganham mundo, muito mais do que o resultado académico, e independentemente das línguas em que nos comunicamos, conhecer gente de todo o lado faz-nos perceber como somos iguais. Muito para lá dos números e muito mais do que o resultado do intercâmbio académico, o impacto do programa Erasmus está sobretudo na criação de uma consciência coletiva, no afloramento de um sentido de pertença comum, na afirmação de uma cidadania europeia.

Um estudo da Comissão Europeia revela que são francamente maiores as oportunidades de emprego que se abrem para quem passou pelo Erasmus, e confirma que 83% dos antigos participantes no programa dizem sentir-se mais europeus. Acrescem, a cada ano, os que já são literalmente a geração Erasmus, em crescimento contínuo: mais de um milhão de bebés nascidos nos últimos 30 anos foram gerados por casais que se conheceram no âmbito destes intercâmbios.

Não há, de entre as políticas europeias, outros programas tão bem sucedidos como o Erasmus, a provar que uma ideia vale mais do que uma verba. E esta semana, em Estrasburgo, foi tempo de o Parlamento Europeu festejar o programa de mobilidade académica com a profissão de fé na duplicação do orçamento que lhe será destinado a partir de 2020: 30 mil milhões de euros/ano, ainda assim abaixo dos atuais 45 mil milhões destinados à famigerada Política Agrícola Comum, que tão maus resultados produziu em Portugal. O Erasmus é o maior investimento que a Europa pode fazer em si própria e no futuro. O resultado é a garantia pela qual a União Europeia vai sobreviver. E esse é o verdadeiro euromilhões.

*DIRETOR