A abrir

Por Santa Luzia!

Por Santa Luzia!

Cruzemos as diagonais ao nosso chão e, ali ao lado, bem juntinho ao coração geodésico do mapa português, encontramos o lugar onde, simbolicamente, António Costa reuniu ontem o Conselho de Ministros: Pampilhosa da Serra, município antigo, não chega a 4500 habitantes, eram 15 mil em meados do século passado. A maioria tem mais de 65 anos e já só são 11 por cada quilómetro quadrado, 10 vezes menos que a média nacional. Arde quase todos os anos, há muitos anos. E é bem o retrato despovoado do interior português, onde o Estado é precário e demasiadas vezes ausente.

Os nove distritos do interior representam dois terços da área de Portugal continental, mas acolhem menos de um quinto dos contribuintes. Logo, menos algazarra, menos votos. E vamos dar sempre ao mesmo: a necessidade de um outro olhar sobre o que é nosso, fixar populações e atrair investimento capaz de valorizar o que já temos e de criar riqueza e emprego.

No passado, o povoamento foi essencial para assegurar a soberania territorial, foi sangue com que desenhámos o mapa. Hoje, é indispensável afirmar a soberania democrática para contrariar o abandono, devendo o Estado assumir os custos da ocupação mínima do território e sustentar a manutenção de serviços essenciais. Tem custos, claro, mas gerir é fazer escolhas e estabelecer prioridades. A começar pelo Orçamento do Estado.

O pacote de medidas agora anunciadas é coerente e positivo. Mas está muito aquém das propostas que, ainda há dias, foram apresentadas pelo Movimento pelo Interior, à volta do qual convergem figuras dos dois principais partidos parlamentares. Já todos pressentimos o falatório de pré-campanha, mas há pactos que não deveriam esperar por eleições legislativas. E valem bem uma recandidatura presidencial. Ou o país não sai da Senhora dos Prantos, padroeira da Pampilhosa, para chegar à Santa Luzia, no alto da mesma serra...

* DIRETOR

ver mais vídeos