Ana Catarina Mendes

O fim do mito

Um dos mitos políticos portugueses que implodiu com o correr da atual legislatura e com esta governação do PS, com o apoio parlamentar dos partidos à sua Esquerda, é a ideia - tão explorada pela Direita - de que o rigor orçamental era um seu património exclusivo e que a Esquerda a governar significaria o descalabro das finanças públicas, personificado no célebre "Diabo" que Passos Coelho anunciou e que PSD e CDS continuam a aguardar (a desejar mesmo) que surja em cada esquina da vida. O fim desse mito - mérito do Governo de António Costa e também de Mário Centeno - custa-lhes muito, custa-lhes ao ponto da irritação, que já não escondem. Porque o que este Governo do PS demonstrou é que é possível, com rigor orçamental, criar mais riqueza, criar emprego, devolver rendimentos às famílias, voltar a ter confiança, mas também cumprir as metas e os critérios que resultam dos nossos compromissos internacionais. Ter sucesso onde a Direita falhou clamorosamente. Dito de uma forma clara: o "rigor financeiro" da direita, no último Governo do PSD e do CDS, serviu só para criar pobreza, retirar rendimentos às famílias, desinvestir em absoluto nos serviços públicos (na escola e na saúde, mas também, por exemplo, nos transportes públicos), sobre os quais agora gostam de verter lágrimas de crocodilo, deprimir e gerar uma total ausência de esperança e confiança. E falhando todos os objetivos orçamentais.

Ana Catarina Mendes

Um caminho que se faz caminhando

A caminho do terceiro ano desta legislatura, o mínimo que se pode dizer é que estes anos devolveram aos portugueses algo que lhes tinha sido retirado pela anterior governação do PSD e do CDS/PP, e que ia muito para além dos rendimentos: a confiança e a tranquilidade. O clima de intranquilidade, o sobressalto e a tensão permanente, a falta de um rumo e de qualquer sinal de esperança desaparecera do nosso quotidiano e esse regresso a uma certa normalidade é um dos inestimáveis ganhos destes anos de Governo do PS, por muito que alguns, sobretudo à Direita, queiram fazer-nos esquecer que esses tempos existiram e se comportem hoje como se esse pesado lastro não fizesse parte indeclinável do seu currículo (eu diria mesmo, cadastro...) político.

Ana Catarina Mendes

A condição humana

A boa notícia da eleição de António Vitorino como diretor-geral da Organização Internacional das Migrações, mais uma grande vitória da política externa portuguesa, depois das eleições de António Guterres nas Nações Unidas, ou de Mário Centeno para o Eurogrupo, não pode desviar-nos da inquietação que devemos sentir perante o que se está a passar nesse domínio. E não, não podemos cair na tentação, como que reconfortando as nossas (más?) consciências, de concentrar todo o mal na figura grotesca de Trump e na sua cruel e humanitariamente criminosa atitude com as famílias que tentam atravessar a fronteira entre o México e os EUA, contrariando, aliás, toda a história da construção da grande nação norte-americana, assente na imigração. Sim, a política de Trump é inaceitável e constitui uma penosa regressão civilizacional. Mas a verdade é que o mal também está entre nós, na Europa, que chamamos e queremos nossa, com a cultura crescente dos egoísmos nacionais, da inveja, da xenofobia, da resistência à diferença e, acima de tudo, essa recusa em fazer do humanitarismo uma política comum da UE.

Ana Catarina Mendes

Bella Ciao e a casa de papel

A Europa voltou a tremer por estes dias e uma das razões foi a aliança que levou ao governo de Itália a esdrúxula combinação entre o populismo 2.0 do Movimento Cinco Estrelas e o populismo xenófobo e protofascista da Liga (ex-Liga Norte), facto que não pode deixar de inquietar qualquer democrata e qualquer europeísta, como me assumo com gosto, num momento crucial da reforma da União Europeia. Itália, uma das maiores economias do mundo e desde sempre nuclear na construção europeia, é mais um inquietante sinal destes tempos pós-Brexit e pós-Trump, e merece certamente uma leitura atenta, e muito preocupada, de todos nós. E poderá até merecer um combate político empenhado.

Ana Catarina Mendes

Continuar a trabalhar para melhorar Portugal

Sei bem que nem sempre é fácil termos a capacidade de ir além daquilo que é a espuma dos dias. Mas como políticos responsáveis temos de saber olhar para o futuro, para além do dia de amanhã ou da próxima semana. É essa a intenção do documento estratégico que António Costa propõe ao 22.º Congresso Nacional do PS. "Geração 20/30": pensar Portugal para as próximas gerações e, sobretudo, preparar as respostas dos socialistas portugueses para os grandes desafios que temos pela frente.