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Ana Catarina Mendes

Bella Ciao e a casa de papel

A Europa voltou a tremer por estes dias e uma das razões foi a aliança que levou ao governo de Itália a esdrúxula combinação entre o populismo 2.0 do Movimento Cinco Estrelas e o populismo xenófobo e protofascista da Liga (ex-Liga Norte), facto que não pode deixar de inquietar qualquer democrata e qualquer europeísta, como me assumo com gosto, num momento crucial da reforma da União Europeia. Itália, uma das maiores economias do mundo e desde sempre nuclear na construção europeia, é mais um inquietante sinal destes tempos pós-Brexit e pós-Trump, e merece certamente uma leitura atenta, e muito preocupada, de todos nós. E poderá até merecer um combate político empenhado.

Ana Catarina Mendes

Continuar a trabalhar para melhorar Portugal

Sei bem que nem sempre é fácil termos a capacidade de ir além daquilo que é a espuma dos dias. Mas como políticos responsáveis temos de saber olhar para o futuro, para além do dia de amanhã ou da próxima semana. É essa a intenção do documento estratégico que António Costa propõe ao 22.º Congresso Nacional do PS. "Geração 20/30": pensar Portugal para as próximas gerações e, sobretudo, preparar as respostas dos socialistas portugueses para os grandes desafios que temos pela frente.

Ana Catarina Mendes

Números que revelam um rumo certo

Por entre a espuma dos dias, há notícias que podem passar mais ou menos desapercebidas, mas que traduzem avanços muito significativos para um país. Na semana passada, o Instituto Nacional de Estatística divulgou os números oficiais da taxa de abandono escolar (oficialmente designada por taxa de abandono precoce de educação e formação) referentes a 2017 e a verdade é que são números muito impressivos, que merecem ser devidamente assinalados.

Ana Catarina Mendes

Os croquetes e o financiamento dos partidos

Sei que, por vezes, pode soar a um mero lugar-comum dizer-se que não há democracia sem partidos políticos, mas a verdade é que nas últimas semanas temos assistido a pulsões populistas de diversa ordem que impõem que esse princípio seja lembrado, reafirmado e, sobretudo, praticado a cada dia que passa. Aquela velha máxima anarquista do "Há governo? Sou contra!" parece por estes dias transformada numa espécie de "Dinheiro para os partidos poderem exercer a sua atividade política? Sou contra!", mesmo que para isso seja preciso recorrer à verdade desvirtuada ou a criar segundas ou terceiras intenções ocultas para alimentar uma guerra que não faz sentido em democracia. Mesmo por parte daqueles que, dizendo-se contra, mantiveram recatado silêncio até que as manchetes despertassem esse seu instinto, alimentando as pulsões de que são feitos. Hoje por hoje há alguns políticos que fazem lembrar a velha anedota de Raul Solnado que estava muito preocupado por ter deixado um casaco num restaurante que era conhecido por aproveitar tudo para fazer croquetes... Hoje, há quem aproveite todas as notícias do dia - mesmo que não passem da velha espuma dos dias de que nos falava Boris Vian ou que possam inscrever-se na lógica muito atual das "fake news" - para nela centrarem a sua atividade política. Basta ter estado atento aos últimos debates quinzenais para saber do que escrevo. Os partidos políticos - como aliás muitas outras instituições na nossa sociedade, nos mais diversos setores - precisam de ter acesso a financiamento que lhes permitam manter a atividade que justifica a sua existência, este é um facto. Outro facto: é preciso é que esse financiamento seja feita às claras, seja transparente e seja passível de ser totalmente escrutinado pelas entidades competentes. São estes dois princípios que norteiam e continuarão a nortear a nossa posição nesta matéria. E que nunca estiveram em causa. Resistiremos - com a coragem que as circunstâncias exigirem - aos ataques aos partidos e, por essa via, à democracia, que verdadeiramente estão por trás de algumas pulsões populistas mediaticamente assistidas, que procuram alimentar alguns dos piores instintos humanos.

Ana Catarina Mendes

Futuro nascido das cinzas

Este é o momento de reunir todos, juntar forças e com coragem e esperança olhar para o futuro. Nada pode ficar como antes! Das chamas extintas com bravura ficam as cinzas, rasto de memórias vividas com lágrimas pela perda de familiares, amigos, conhecidos, vizinhos. Pela perda, em minutos, de uma vida inteira de trabalho, dedicação e empenho fica o silêncio na impotência de exprimir o que realmente é sentido. Recordo e adapto, a propósito do fogo que devastou Portugal, os versos de Jorge Palma sobre Portugal: "Tiveste gente de muita coragem/e acreditaste na tua mensagem/foste ganhando terreno...". Este terreno que o fogo consumiu tem que se reerguer, reconstruir.

Ana Catarina Mendes

Quem vota, decide

A abstenção corrói a democracia nos seus alicerces de maior participação e de uma cidadania ativa. Democracia é participação dos cidadãos na definição do seu futuro coletivo e, por isso, a abstenção significa renunciar ao exercício desse direito fundamental que é a liberdade de escolher quem governa. É, pois, preocupante a abstenção que se tem vindo a registar nas eleições em Portugal, que nas autárquicas de 2013 foi de 47,3% - não deixa de ser um paradoxo uma taxa de abstenção tão alta naquelas que são as eleições de maior proximidade. O problema é sério, não pode ser ignorado ou desvalorizado, porque tem a ver com a essência da democracia e com o que a desistência do voto implica nas nossas sociedades.