Opinião

Democracias frágeis

Nesta época de férias, há coisas que passam despercebidas. No descanso merecido de um ano de trabalho, não reparamos como o Mundo está estranho e como precisamos de agir para defender, sempre, a democracia.

Os sinais do outro lado do Atlântico, do Brasil, são preocupantes. A campanha presidencial que levou Bolsonaro a presidente da República foi feita com instigação ao ódio, à segregação, à discriminação em nome do poder para instalar a cultura do nós e os outros. A essência do populismo: acirrar ódios e a distinção entre a elite e o povo, a destruição de valores fundamentais de uma democracia. A morte de um líder de uma comunidade na Amazónia é fruto deste clima que foi instalado no Brasil por Bolsonaro. Em nome de quê? Que cultura democrática é esta? Onde está a comunidade internacional para pôr cobro a esta barbárie? Chega ao poder pelo voto democrático, mas instaura uma ditadura que não nos pode silenciar. São muitos os que abandonam o país com medo da morte, da prisão, da privação de direitos fundamentais!

Não calarei a minha voz perante o que está a acontecer no Brasil. Falo com amigos brasileiros e sinto a desilusão com a situação política, a frustração num país que já deu tanto e que tem tanto a dar ao Mundo.

Felizmente Portugal, numa Europa que vê ditaduras a ressurgir e num Mundo que dá sinais perigosos, continua a ser uma democracia sólida.

Para férias, sugiro o documentário da Netflix "Democracia em vertigem", para que possamos ajudar o Brasil a libertar-se da ditadura e do medo!

* SECRETÁRIA-GERAL-ADJUNTA DO PS

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