Opinião

O fim do mito

Um dos mitos políticos portugueses que implodiu com o correr da atual legislatura e com esta governação do PS, com o apoio parlamentar dos partidos à sua Esquerda, é a ideia - tão explorada pela Direita - de que o rigor orçamental era um seu património exclusivo e que a Esquerda a governar significaria o descalabro das finanças públicas, personificado no célebre "Diabo" que Passos Coelho anunciou e que PSD e CDS continuam a aguardar (a desejar mesmo) que surja em cada esquina da vida. O fim desse mito - mérito do Governo de António Costa e também de Mário Centeno - custa-lhes muito, custa-lhes ao ponto da irritação, que já não escondem. Porque o que este Governo do PS demonstrou é que é possível, com rigor orçamental, criar mais riqueza, criar emprego, devolver rendimentos às famílias, voltar a ter confiança, mas também cumprir as metas e os critérios que resultam dos nossos compromissos internacionais. Ter sucesso onde a Direita falhou clamorosamente. Dito de uma forma clara: o "rigor financeiro" da direita, no último Governo do PSD e do CDS, serviu só para criar pobreza, retirar rendimentos às famílias, desinvestir em absoluto nos serviços públicos (na escola e na saúde, mas também, por exemplo, nos transportes públicos), sobre os quais agora gostam de verter lágrimas de crocodilo, deprimir e gerar uma total ausência de esperança e confiança. E falhando todos os objetivos orçamentais.

É esse empobrecimento que é, por direito próprio, património exclusivo da Direita, e não rigor orçamental. Esse é apenas um princípio de boa governação. O fim desse mito é uma das grandes conquistas desta governação do PS, com o apoio dos nossos parceiros parlamentares. Uma conquista que não pode ser posta em causa. Isso exige que todos, à Direita e à Esquerda, o compreendam.

* SECRETÁRIA-GERAL-ADJUNTA DO PS

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