Opinião

Sempre do lado do SNS

Não deixam de ser tocantes as declarações em defesa do Serviço Nacional de Saúde que surgem de todos os quadrantes políticos, no momento particularmente significante em que o Parlamento analisa as propostas para a nova Lei de Bases da Saúde. Ora, numa altura em que alguns procuram mistificar a História, há que lembrar e fixar a memória: o SNS - universal e tendencialmente gratuito - foi criado em 1979, por impulso do inesquecível António Arnaut, com a aprovação dos partidos da Esquerda e com os votos contrários do PSD e do CDS. Esse é o quadro genético do nosso Serviço Nacional de Saúde e é um quadro que ainda hoje se mantém. O SNS faz parte do ADN do PS e é um património político que nos orgulha como socialistas. Quando por estes dias se ouvem algumas dessas declarações por parte das mesmas pessoas que foram responsáveis pelo maior ataque da história do SNS, atacando-o nos seus fundamentos primeiros (universalidade e gratuitidade tendencial), o que deixou um terrível lastro que ainda demorará muito tempo a recuperar (apesar de todos os reforços de investimento e de pessoal que têm sido feito nos últimos três anos), não podemos deixar de pensar que esta é uma matéria onde ainda existe uma separação entre Esquerda e Direita, tal como sucedeu em 1979. Quem sempre atacou o SNS e queria (e quer...) privatizar, abraça agora o SNS como se a memória nos faltasse... Mas o país precisa mesmo de um Serviço Nacional de Saúde forte, o mais consensualizado possível, capaz de se adaptar às novas exigências e aos novos desafios, e capaz de estar ao serviço das pessoas. O PS estará nesta discussão onde sempre esteve, defendendo a natureza universal e tendencialmente gratuita do SNS, ao serviço de quem mais precisa. E defendendo a sua natureza pública estruturante, complementada pelo setor social e pelo privado. A fidelidade dos socialistas aos valores plasmados no SNS é inquestionável e não há nada, nem ninguém, que a possa abalar.

*Secretária-geral-adjunta do PS