Opinião

Não há Amazónia B

Com frequência, quando penso no Brasil, as minhas ideias saltam de música em música, das "Águas de março" a "Ipanema", a todas as coisas mais lindas e mais cheias de graça que o Brasil tem.

Não será, com certeza, responsabilidade exclusiva de Jair Bolsonaro que a Amazónia esteja a arder ao ritmo mais acelerado dos últimos dez anos. Mas com certeza terá contribuído para isso o enfraquecimento que Bolsonaro impôs à agência ambiental brasileira, a promoção da desflorestação da Amazónia e o ataque às ONG. Bolsonaro acusou as ONG de estarem a pegar fogo à Amazónia, para o enfraquecer. Para além de demonstrar o seu desinteresse e desconhecimento sobre um tema tão central quanto as alterações climáticas e proteção do ambiente, Bolsonaro demonstrou, mais uma vez, que não tem sentido de Estado.

Preocupa-me, também, mas sem surpresa, a forma como uma certa Direita portuguesa, nas redes sociais, desculpa e elogia Bolsonaro, enquanto este desafia a humanidade e o planeta. Essa direita portuguesa - que nem sequer se apresenta como radical - acha que Bolsonaro é uma vítima da Esquerda, ou talvez de todos os governos e cidadãos inteligentes e de bom senso. Essa certa Direita portuguesa, que só tem coragem para estes absurdos nas redes sociais, tem - não há outra forma de o dizer - que ganhar juízo e juntar-se ao lado certo desta luta.

Mas atenção, que nem a Amazónia é o único cenário de crise ambiental, nem Bolsonaro a única ameaça política ao planeta. Será talvez o mais grave, o mais visível e o mais deliberado. Mas há outras "Amazónias" que temos que vigiar com tanto zelo quanto a esta, e outros "Bolsonaros" que temos de travar nestes caminhos do erro.

*Secretária-geral-adjunta do PS

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