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Ana Paula Laborinho

O Mundo às avessas

Sem sabermos bem as origens, conhecemos a função essencial do Carnaval, último tempo antes da Quaresma para libertarmos o riso e fazer dele a melhor arma crítica, porque ninguém leva a mal. Salazar não achava graça ao Carnaval que era muitas vezes aproveitado para quebrar a lei da rolha e dizer com muito humor o que não se podia nem pensar. Recordo um corso em Alenquer dedicado ao bacalhau, o fiel-amigo, que serviu de sátira à pobreza, à falta de instrução e atraso sistemático, o que não agradava ao regime, sempre muito atento por estas alturas e, não raro, proibindo os desfiles. Nessa época, tinha um gosto especial o Mundo às avessas, única forma de contrariar a ordem repressiva. Também no Brasil a ditadura interferiu no Carnaval, mas a festa popular transbordou fronteiras. Este ano, Daniela Mercury e Caetano Veloso gravaram uma explosiva canção "Proibido o Carnaval" que, entre outras coisas, brinca com as declarações da ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, sobre as cores que as crianças devem usar: meninas de rosa, meninos de azul. O Carnaval vai ser grande.