Opinião

Aprender até ao fim

Estamos de acordo que a educação deve ser uma prioridade do país, mas pensamos em geral nas crianças e jovens. Sobre a educação de adultos, as opiniões dividem-se, sobretudo porque se trata de completar habilitações ou reconhecer e certificar competências. Os números não enganam e os relatórios internacionais como o que a OCDE acaba de divulgar - Education at a Glance 2018 - mostram que quase metade da nossa população adulta entre os 25 e os 64 anos não completou o Secundário, mais do dobro da média da OCDE. Também revela que o panorama está a mudar e o grupo entre os 25 e os 34 anos que completou o Secundário passou de 44% em 2007 para 70% em 2017 (a média da OCDE é de 85%). Nesta faixa etária, há mais mulheres que homens a concluir os estudos, apesar de ainda receberem salários mais baixos.

O que acontece aos que ficam pelo caminho? Ouvimos com frequência que "estudar não serve para nada", mas os indicadores mostram a correlação entre baixas qualificações e baixos rendimentos, sendo também estes os que menos oportunidades têm para sair desse ciclo vicioso.

O Conselho Nacional de Educação organizou esta semana um encontro de reflexão e partilha de experiências sobre educação de adultos, escolhendo como mote "ninguém pode ficar para trás". Virado para o futuro e programas em curso como o Qualifica, referiu o Programa Novas Oportunidades, em que muitos haviam trabalhado arduamente, encerrado em 2013 sob alegações de facilitismo, mas sobretudo ridicularizado e menorizado, encapotando a ideia de que estudar não pode ser para todos.

É recorrente ser defendido um pacto de regime que permita políticas de continuidade em áreas estruturantes como a educação, mas importa ter consciência de que estamos perante entendimentos de tal forma opostos que enformam modelos inconciliáveis.

Este Governo - e bem - retomou a educação de adultos como um dos mais importantes eixos das políticas públicas para qualificação dos portugueses. Temos baixos níveis de literacia e faltam competências essenciais, o que não é problema exclusivo dos menos escolarizados. Perante as transformações em curso no mercado de trabalho, não só a digitalização, mas também a necessidade de responder a desafios complexos e acompanhar a inovação, percebemos a centralidade da aprendizagem ao longo da vida e da aquisição de competências. Vamos ter de aprender até ao fim da vida e, sobretudo, não deixar ninguém para trás.

*PROFESSORA UNIVERSITÁRIA

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