Opinião

Para que serve o Ensino Superior

Para que serve o Ensino Superior

Acaba de ser apresentado um estudo que revela o forte impacto económico dos institutos politécnicos nas economias locais.

Os resultados não surpreendem e podem estender-se às universidades. Cidades como Aveiro, Braga ou Covilhã transformaram-se com a criação das universidades, pelo dinamismo da comunidade académica, pelo impacto da inovação e pelo conhecimento que transferem para a economia. No caso dos institutos politécnicos, ainda mais presentes em regiões do interior, têm além disso permitido aos que vivem longe dos grandes centros aceder a formação superior. O esforço tem sido transcender o isolamento e também atrair estudantes internacionais que trazem diversidade criativa e ajudam a transformar mentalidades. É o caso de Bragança com cerca de um terço de estudantes provenientes de 56 países num total de quase 8000 alunos, quase um terço da população da cidade, contribuindo para inverter a tendência para o despovoamento. Em 2011, Bragança registava uma perda de 12 mil habitantes na última década, o que significava metade da população.

Num Mundo em mudança que exige mais e melhor formação, o Ensino Superior deixou de ser um luxo e é cada vez mais um percurso generalizado. Vai longe o tempo dos doutores e engenheiros, tratamento pomposo que distinguia os eleitos e lhes atribuía um estatuto diferenciador. A anedota contava que, em Portugal, o engenheiro vestia fato e gravata, enquanto na Alemanha usava fato de macaco. Mera caricatura para um ensino afastado do mundo do trabalho, como também afastado da investigação.

Ainda é escasso o número de doutorados nas empresas, mas vai crescendo a consciência de que a inovação e a economia precisam da Ciência. O caminho faz-se caminhando, embora não seja direito e revele uma irritante atração por desvios sem saída. O presidente do Conselho Europeu de Investigação, que veio a Portugal para participar em ações do programa nacional de investigação e inovação, alertava para a tendência crescente dos movimentos anticiência e antiespecialistas, como aqueles que rejeitam a vacinação ou negam as alterações climáticas. Outra expressão das falsas notícias.

É por isso que a tarefa mais importante do ensino superior continua a ser ensinar a pensar e construir pensamento crítico. É por isso que a Ciência está tão próxima da arte: ambas usam a imaginação para chegar ao desconhecido. E são a mais absoluta expressão da inteligência humana.

*PROFESSORA UNIVERSITÁRIA

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