Opinião

Digitalizar é (também) descentralizar

Digitalizar é (também) descentralizar

Pelo seu 133.º aniversário, o JN promove hoje uma conferência sobre o atualíssimo tema dos "Territórios digitais". Acertada opção, porque aponta no sentido de um futuro que se faz presente.

A omnipresença da digitalização na economia e na sociedade está irreversivelmente em curso - e a pandemia só acelerou o avanço.

A banalização da sensorização e da capacidade de gerar e transmitir grandes quantidades de dados, o aumento da capacidade computacional e o desenvolvimento de algoritmos mais complexos estão a trazer para o quotidiano a inteligência artificial, sistemas ciberfísicos que alteram as nossas interações sociais, profissionais, logísticas, educativas ou culturais, bem como as transações comerciais ou atividades industriais. A "Internet das coisas", o comércio online, o teletrabalho, a realidade aumentada ou a utilização de robôs são realidades cada vez mais comuns.

O Norte, região industrial e exportadora dotada de ativos agrorrurais relevantes e patrimónios turísticos singulares, capacitada por unidades de ciência e tecnologia de reputação internacional e por um cluster de criatividade, só pode assumir este desafio como um imperativo de desenvolvimento. As instituições regionais devem interpretar e consumar este processo transformacional, seja no tecido produtivo, na qualificação das pessoas ou no investimento em infraestruturas e projetos de ciência.

Os territórios, as pessoas e as instituições não desaparecem nem se uniformizam nos "territórios digitais". Os problemas de organização social, a falta de especialização ou a ausência de recursos qualificados não se esfumam. Por isso, a digitalização não elide a absoluta necessidade de uma estratégia regional, capacitada por uma autonomia de planeamento, decisão e gestão, num modelo de governação próximo, inteligente e ágil. De facto, reforça-a e potencia-a.

A digitalização não pode legitimar novas formas de centralismo. Mimetizando as interações entre pessoas e organizações, a interoperabilidade de sistemas permite decisão participada e descentralizada.

O mundo digital não tem de viver nem do caos nem do centralismo, mas de uma ordem e da realidade das redes. Não promove as ineficiências, mas combate-as. Não premeia a impreparação, mas a estratégia e a sua ação consequente.

PUB

É esta a digitalização que queremos, a Norte.

*Presidente da CCDR-N

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG