Opinião

Mais Norte na Galiza

Esta quarta-feira, as regiões da Galiza e do Norte de Portugal renovam o compromisso - mais do que isso, a vontade inequívoca - de um futuro comum.

Num encontro na raiana e tão portuguesa Salvaterra do Miño, o governo autonómico galego e, no quadro da sua reforçada legitimidade democrática, a CCDR-Norte reafirmam os laços culturais, históricos e afetivos da fraternidade desta antiga eurorregião. Mas fazem mais do que isso: enunciam apostas comuns num desenvolvimento sustentável partilhado e na resposta a exigentes desafios de modernidade, competitividade e coesão.

O Norte e a Galiza partilham uma língua e uma cultura ancestrais e modernas. Partilham uma das grandes rotas culturais e de espiritualidade da Europa, os Caminhos de Santiago, que ligam nove patrimónios classificados pela UNESCO nos seus territórios.

Partilham rios e serranias, uma notável frente oceânica e o imenso Parque do Gerês - Xurês. Partilham uma tradição de emigração e de diáspora no Mundo. Partilham um metabolismo de fronteira, emblemático na Europa, e uma crescente interação económica e comercial, em indústrias como o automóvel e o têxtil. Partilham produtos agroalimentares singulares, de que o alvarinho é exemplo. Partilham um destino turístico de excelência. Partilham um instituto científico nas nanotecnologias - o INL -, uma rede de universidades e o primeiro "agrupamento europeu de cooperação territorial" luso-espanhol. Partilham desafios de desenvolvimento das energias renováveis e a luta por uma demografia sustentável.

Ao longo das três últimas décadas, inspirados por figuras como Valente de Oliveira, Luís Braga da Cruz ou Carlos Lage, Manuel Fraga Iribarne ou Alberto Nuñez Feijóo, o Norte e a Galiza reconstruíram confiança e futuro entre os dois lados de uma fronteira que os seus povos nunca alimentaram. Desígnio que hoje é assumido pelas suas instituições, empresas e cidadãos, desafiados a interpretar as suas identidades de vizinhança e oportunidades no Mundo.

A inovação e a digitalização das nossas indústrias e do comércio externo, a descarbonização da nossa economia, a retoma do turismo e a sua sustentabilidade, o fomento da cultura e a criatividade, a proteção sanitária e civil de emergência dos cidadãos e a integração de migrantes são reptos que podem inscrever a antiga e mais emblemática das eurorregiões ibéricas no século XXI.

Mais Norte na Galiza. E vice-versa. Os dois países só podem ganhar com isso.

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*Presidente da CCDR-N

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