Opinião

Revolução

Esta foi a palavra usada pelo ministro das Infraestruturas quando há uns dias apresentava, com o primeiro-ministro, no Porto, o protejo ferroviário em alta velocidade que ligará Lisboa, Porto e Vigo. O termo não tem nada de exagero. No horizonte de oito anos, até 2030, Porto e Lisboa ficarão ligados a uma hora e quinze minutos de viagem (reduzindo a distância em mais de uma hora e meia) e Porto e Vigo estreitam a sua ligação para 50 minutos (quando agora distam entre si mais de duas horas e vinte minutos). A ligação ao aeroporto não fica também esquecida.

É bom de ver que esta "revolução" excede em muito os tempos de viagem, tocando dimensões fundamentais, hoje, como a qualidade e previsibilidade do serviço (quem anda agora na Linha do Norte sabe do que falo), a sua segurança e o seu desempenho energético-ambiental, num contexto em que o país e a Europa estão forçados a reduzir as emissões e a própria dependência carbónicas.

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Um sentido de futuro marca este projeto. O Norte ficará mais ligado ao país e a eurorregião que forma com a Galiza mais forte. Ganham a coesão territorial, a competitividade económica, a mobilidade de pessoas e as interações turísticas, sociais, culturais e simbólicas. A transformação gerada na mobilidade e na economia nacionais e ibéricas será, com efeito, extraordinária.

Espera-se que, como já esta semana apelou o presidente do Governo Regional da Galiza, Alfonso Rueda, o Governo de Madrid avance no mesmo sentido e não trave nem hesite no compromisso já firmado desta grande ligação ibérica e eurorregional.

Creia o/a leitor/a que este é um dos grandes investimentos transformadores da nossa realidade presente e futura. Tem unicamente contra si o facto de ter sido demasiadas vezes anunciado, desde já o século passado, gerando natural reserva nos cidadãos, que se preferem colocar na cautelosa posição de São Tomé: a de ver para crer.

Não poderia deixar ainda de saudar o compromisso também firmado pelo Governo para a reabilitação e reativação, na linha férrea do Douro, do troço Pocinho/Barca d"Alva. É um património histórico que se reabilita, mas é também (e sobretudo) um ativo que se coloca ao serviço do desenvolvimento do nosso Interior e do combate ao seu despovoamento e desertificação. As "revoluções" que reclamamos para o Interior precisam de atos de carne e osso. Neste caso, o potencial de rentabilidade turística justifica o investimento. Está nas mãos do país concretizá-lo até 2030.

*Presidente da CCDR-N

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