Opinião

Sementeira social

As crises devolvem-nos uma consciência mais aguda sobre a importância maior da inclusão e da promoção social ativas.

Confronta-nos com o imperativo de encontrar respostas que cumpram, no quotidiano real das pessoas, a sempre atual e pertinente, mesmo que frequentemente retórica, promessa de "não deixar ninguém para trás". Tais respostas - que têm de ir muito além de uma lógica assistencialista tradicional - são especialmente relevantes no Norte, onde os riscos de pobreza e exclusão são superiores à média nacional (cf. o relatório "Indicadores dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável em Portugal", do INE, relativo a 2021).

Neste desafio são especialmente bem-vindas histórias reais, bem-sucedidas que, pelo exemplo, inspirem e deem fôlego a estas políticas e instrumentos, mobilizando um tecido institucional vasto, que vai do Estado às empresas, dos municípios às organizações sociais, numa lógica de atuação definida pela proximidade territorial.

PUB

Pude há dias, num fórum em Lousada, contactar com um conjunto de projetos de "inovação social" inspiradores. Bons exemplos de investimentos públicos e privados (em muitos casos, simultaneamente públicos e privados), alavancados com apoio dos fundos europeus, que atuam junto de comunidades vulneráveis e desfavorecidas, com riscos de exclusão ou pobreza. Intervenções que vão do Porto às Terras de Trás-os-Montes e do Alto Minho ao Douro, em prol da reinserção socioprofissional de antigos reclusos, da promoção do sucesso educativo de crianças e jovens em risco, da integração laboral de pessoas com deficiência ou doença mental, da literacia financeira ou da inclusão digital de seniores.

Esta experiência recentemente aberta no território da "inovação social" deve ser valorizada. Desde logo, reconhecida num modelo de desenvolvimento mais coesivo e justo, menos assimétrico e desigual em termos sociais e territoriais (as duas dimensões estão frequentemente ligadas). Por isso, no próximo programa Norte 2030, a CCDR-Norteapostará em integrar esta promissora linha de ação. O desafio é agora de a alargar nos territórios, de diferenciar as intervenções de acordo com as realidades e necessidades das comunidades e de convocar parceiros privados que robusteçam meios e respostas.

Esta é uma sementeira que vale a pena, se queremos ter um modelo mais sustentável e adaptativo de inclusão e promoção social, na região e no país. As questões sociais não podem ser acessórios, nem apêndices.

*Presidente da CCDR-N

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG