Opinião

Tradição que se faz nova

Tradição que se faz nova

Quando pensamos no Norte, imediatamente nos assaltam os lugares-comuns como o "berço" da nacionalidade, o vinho do Porto, a tradição industrial e a história dos torna-viagens.

Esses rótulos não descrevem o Norte de hoje - uma Região de ciência e inovação, uma economia diversificada, um destino turístico internacional e um território cosmopolita -, mas contêm um fundo de verdade que permanece. É o caso do Norte industrial e exportador.

As seculares raízes manufatureiras, comerciais e liberais da Região têm evidenciado uma notável capacidade de adaptação a crises, bem como a tendências de mercado e de renovação face às mutações tecnológicas ou alterações do comércio internacional. Mas a dinâmica dos tempos coloca novos desafios a esta grande e antiga Região industrial europeia. Desafios exigentes, com a digitalização e a descarbonização no topo das prioridades.

O Norte - o mesmo é dizer Portugal - não pode, nem quer, fugir à nova ordem da economia: mais verde, mais elétrica, mais inteligente e mais digital. Somos convocados a reinterpretar a nossa forte tradição industrial e exportadora nestas exigentes transições.

Também por isso, o tema dos fundos comunitários - alavanca para transformações estruturais da base económica e social de regiões como o Norte - é incontornável e merece opções inteligentes e cuidadas, moldadas pelas diferentes realidades territoriais. O país, no social, na economia e no território, está muito longe de ser um contínuo que caiba numa só tabela de "Excel" - não podemos reincidir nesse erro.

Neste contexto, são estratégicas as apostas que o Norte tem assumido em projetos estruturantes ligados à mobilidade elétrica (incluindo na extensa cadeia de valor das baterias elétricas) e ao automóvel autónomo. Alguns desses projetos apresentaram-se ao PRR e têm parcerias maduras na vizinha Galiza, com a qual o Norte forma o palco natural dos grandes investimentos ibéricos nestas agendas.

Aqui temos a massa crítica de empresas experientes, incluindo players mundiais, centros e laboratórios de inovação de referência e uma rede de cidades comprometidas com o teste de soluções e o objetivo da neutralidade carbónica.

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Imprescindível ao país, a indústria do Norte é um ecossistema de inovação aberto ao futuro. É a tradição que se faz - e tem de se fazer - nova.

*Presidente da CCDR-N

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