Opinião

Um fato à medida

A CCCDR-Norte iniciou esta semana uma bateria de debates, em formato de "petit comité", para preparar o novo ciclo de fundos comunitários na Região Norte.

Juntamos, desta forma, à mesma mesa especialistas dos vários setores, autarcas, dirigentes de instituições e serviços públicos, responsáveis das instituições de ensino superior e ciência, empresários e investidores. Ao todo, são 32 "workshops", que é como quem diz, sessões de trabalho, com o objetivo de estruturar numa perspetiva operacional "planos de ação" que interpretem o futuro do Norte em novas prioridades, projetos e investimentos.

Chamo a atenção do facto não por qualquer vaidade ou orgulho particular. Cumprir um dever não merece elogio ou louvor. Faço-o porque numa cultura como a nossa, pouco dada à profundidade de reflexão e ao debate racional, aberto e sustentado em factos, realizar uma iniciativa como esta - serena e sem holofotes - marca uma diferença. O país grita muito, mas discute pouco. Queixa-se da crise da democracia, mas é pouco dado à participação. Banha-se numa espuma de "atualidade", mas desvaloriza o trabalho intelectual, de pensar e refletir em conjunto. Todos os esforços, por pequenos que sejam, de virar do avesso esta cultura são bem-vindos.

Acredito genuinamente no valor das estratégias partilhadas e nos efeitos transformadores das redes de colaboração. Uma estratégia que não é partilhada não é sequer compreendida. E um plano de ação que não é coletivo só serve a alguns. O autismo das políticas públicas deve dar lugar ao envolvimento efetivo dos agentes regionais e locais.

Já tive nesta coluna a oportunidade de explicar as razões que fazem dos fundos comunitários um dos grandes temas nacionais. Hoje, parece-me suficiente lembrar que, fora desse "orçamento", não haverá investimento público ou privado relevante, digno desse nome. E que esse orçamento não é uma coisa qualquer. No total, somando a dotação financeira do PRR e do futuro Portugal 2030, estamos a falar de mais de 50 mil milhões de euros de fundos comunitários, em relação aos quais o Norte espera legitimamente vir a beneficiar de perto de 50 por cento. Pela importância demográfica e social, produtiva e exportadora, de inovação e ciência, territorial e cultural que hoje tem.

Um fato justo e de pronto a vestir não serve ao Norte. Devemos esperar um "taylor made".

*Presidente da CCDR-N

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