Opinião

A aposta da Europa na formação

A aposta da Europa na formação

O "compromisso social do Porto" subscrito pela Europa é um documento ambicioso, que confirma a determinação dos parceiros sociais europeus e das organizações representativas da sociedade.

O acordo assenta em três pilares da Europa para a próxima década: a garantia do aumento da população ativa empregada, a redução de 15 milhões de pessoas em situação de pobreza e a aposta na qualificação de ativos adultos em 60%.

Este último desafio apela à participação das Universidades. Da mesma forma que estiveram na linha da frente na pandemia, terão de assumir um papel acrescido na recuperação da Europa, numa das maiores crises da história, pelo menos, na história de que há memória.

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Durante a cimeira, ficou claro que a crise provocada pela covid-19 veio expor fragilidades e desigualdades dramáticas na Europa que têm de ser travadas a tempo. Para tal, é fundamental o investimento no combate à pobreza e na proteção social, na criação de emprego, mas também na aposta na qualificação das pessoas.

Portugal tem mostrado uma evolução positiva no sentido de ultrapassar o défice de qualificações, graças a um conjunto de mudanças legislativas e de adaptação do sistema de ensino superior a novos públicos, mas a qualificação dos adultos ativos continua a ser um desafio que importa ultrapassar para enfrentar com sucesso o futuro e se concretizar a Estratégia Portugal 2030.

Persistem ainda níveis de qualificação baixos na população ativa, tendo o sistema privilegiado o acesso de estudantes mais jovens na conclusão do ensino secundário. Persiste uma baixa capacidade de atração de estudantes mais velhos, já a trabalhar ou mesmo desempregados, estudantes a tempo parcial e de estudantes oriundos de grupos socioeconómicos sub-representados no ensino superior.

*Professor universitário

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