Opinião

A dimensão estratégica do setor agroalimentar

A dimensão estratégica do setor agroalimentar

O Mundo vive circunstâncias extraordinárias que mudam a todo o momento, face à evolução do quadro epidémico da Covid-19.

Esta pandemia vai traduzir-se em mudanças no posicionamento geoestratégico, mas também económico. Por exemplo, a agricultura portuguesa enquanto atividade económica, encarada por alguns decisores como pouco relevante e sem futuro, ganha uma especial dimensão estratégica. O país deve melhorar a capacidade de autoabastecimento e ambicionar o equilíbrio da balança agroalimentar.

Segundo a FAO, a população mundial será de 9,6 biliões em 2050, traduzindo-se em maior exigência na produção alimentar e, como tal, urge aumentar a produtividade com equilíbrio ecológico, sendo a agricultura, cada vez mais, uma atividade tecnológica e de conhecimento.

É vital apostar em investigação em parceria com as empresas, para dar resposta aos desafios do setor, caso das alterações climáticas, da gestão de energia e recursos hídricos, da escassez de terra cultivável e do despovoamento das áreas rurais.

Exige uma nova visão para o setor, recorrendo a modernos meios tecnológicos, sistemas de informação geográfica e de decisão, recorrendo às tecnologias de comunicação. Mas, para tal, urge atrair e preparar mais jovens para o setor com competências tecnológicas, envolvendo a robótica, a imagem assistida por computador, a sensorização, a monitorização ambiental, e a ciência dos dados, no quadro da chamada agricultura de precisão.

Estas propostas devem enquadrar-se em ecossistemas regionais de inovação, como instrumentos de política pública, em que as instituições "dedicadas" de Ensino Superior têm um papel determinante, mesmo no modelo de governação.

Indubitavelmente, o país tem de pensar diferente.

PUB

*Reitor da UTAD

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG