Opinião

Os estudantes no epicentro do "Superior": que desafios?

As comemorações do Dia do Estudante do passado fim de semana são o pretexto para uma reflexão sobre o papel dos estudantes na academia e alguns desafios. Volvidas algumas décadas desde a contestação estudantil dos anos sessenta, primeiro em Lisboa e depois em Coimbra, à ditadura política e a falta de liberdade então vigente e a dos protestos do aumento de propinas, em plena democracia, os problemas da atualidade são de outra natureza.

A educação superior melhora as competências e prepara os jovens para a vida ativa. Mas, a educação não pode ser apenas funcional, deve ser inclusiva e traduzir-se em benefícios sociais e económicos para a sociedade, sempre numa perspetiva intergeracional. Nesta lógica, os estudantes devem ser o epicentro do Ensino Superior.

Na era da comunicação e da inteligência artificial, os desafios societais exigem recentrar a atividade académica, sendo necessário privilegiar métodos de ensino vocacionados para o desenvolvimento de atitudes e competências favoráveis a mudanças tecnológicas e sociais. Exige privilegiar atitudes de inovação, capacidade criativa e empreendedora, afirmação da autonomia reflexiva e responsável, pautada por valores éticos e de respeito pela diferença.

Colocar os estudantes no epicentro da academia requer mudanças organizacionais nas instituições, assumir práticas de ensino e investigação que os envolvam mais, em trabalho colaborativo, de forma a conferir competências multidisciplinares e favorecedoras de uma cultura de responsabilidade, civilidade e cidadania.

Cumprir as metas europeias de aumentar para 50% da população, entre os 30 e 34 anos, com educação terciária ou equivalente, exige aumentar o acesso a novos públicos e uma melhor regulamentação do sistema. Para tal, é vital melhorar as condições de ensino e reforçar políticas de ação social.

As prioridades não se limitam ao reforço dos apoios sociais, nomeadamente de bolsas, e a estratégias de redução do abandono escolar. É crucial reforçar a capacidade e qualidade do alojamento, reforçar os campi universitários como fator de atração de novos públicos e estudantes internacionais. Este desafio assume maior dimensão nas universidades do arco do interior, pois além das dificuldades de atração de estudantes, a maioria são deslocados, com consequentes custos para as famílias.

A colocação dos estudantes no epicentro das universidades exige estabilidade do financiamento público e o aprofundamento da autonomia universitária, vitais para dar resposta aos novos desafios do Ensino Superior.

* REITOR DA UTAD