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Interior: uma causa nacional

Interior: uma causa nacional

O Movimento pelo Interior apresentou na passada sexta-feira um documento que sugere um conjunto de medidas que pretendem contribuir para a inversão da persistente tendência de alargamento dos desequilíbrios entre as diferentes parcelas do território nacional. A iniciativa contou com a presença das três principais figuras do Estado, bem como de numerosas figuras públicas de diferentes quadrantes políticos e da sociedade portuguesa.

O primeiro-ministro foi claro, afirmando que a coesão territorial se trata de um grande desígnio nacional. Apontou um conjunto de medidas já promovidas pelo Governo, garantiu que iria disponibilizar fundos da reprogramação do Portugal 2020 para o interior e ainda sistemas de incentivos de apoio ao investimento empresarial. Por sua vez, o presidente da Assembleia da República sublinhou o esquecimento de décadas do interior e lembrou o drama a que assistimos no passado ano. No final, o presidente da República, numa curta intervenção, reiterou o apoio a esta a causa nacional.

O relatório apresentado mostra que somos um país coeso em termos de valores, de identidade e de cultura, mas com graves assimetrias de desenvolvimento regional e de ocupação territorial. A densidade populacional média do interior é de 0,28hab/ km2, enquanto no litoral é de 104,2hab/ km2. Se considerarmos as áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto, conclui-se que estas concentram cerca de 45% do total da população. Este cenário agrava-se se associarmos os débeis indicadores socioeconómicos do interior, resultantes do histórico encravamento geográfico que tem acentuado esta condição face aos centros mais dinâmicos.

As desigualdades, quando assumem proporções desta natureza, são um sério obstáculo ao desenvolvimento, à consagração do princípio constitucional da igualdade de oportunidades e à justiça social. Sem dúvida que o país se depara com um grave problema de coesão económica e social.

A elevada adesão às diferentes iniciativas que decorreram durante os últimos meses, promovidas pelo Movimento pelo Interior, confirma a consciência e a vontade de inverter esta situação.

Urge, pois, unir esforços para defender esta causa nacional, contrariando os crescentes desequilíbrios e promover a coesão territorial.

REITOR DA UTAD

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