Opinião

O Douro de Agustina

Entendeu a UTAD homenagear Agustina Bessa-Luís, uma figura ímpar da literatura e cultura portuguesa, com uma forte ligação ao Douro.

Para Agustina, o Douro é espaço de criação e liberdade, pois está ligado à primeira visão, a esse primeiro abrir os olhos para o Mundo. É a partir desse olhar primevo, que Agustina parte para o mais vasto Mundo dos lugares e personagens que compõem o seu universo romanesco.

Se a prodigalidade adjetiva a sua vida literária, a sua vida pública é descrita como indomável, pois o seu registo foi sempre o da liberdade. Não será demais repetir a lucidez das suas palavras: "É na educação que está a possibilidade de entender o Mundo como um eterno recomeço".

Agustina leva a incerteza para o campo das relações humanas, exigindo do seu leitor uma forte aversão à ideia única. A leitura dos seus textos, embora exigente, vai lembrando o perigo de cada um de nós se tornar um Mundo fechado. O seu legado cívico e literário é o do incentivo à coragem, à liberdade, não deixando Agustina de lembrar os benefícios do inacabado.

Mas, o Douro de Agustina mantém a sua condição de território periférico, marcado por um processo de esvaziamento demográfico e envelhecimento, e de sérias disparidades de desenvolvimento económico e social, colocando desafios de peso para o futuro.

Hoje, mais do que nunca, é preciso delinear novos caminhos para o Douro, que promovam a retenção de talentos e a criação de valor na região.

O Douro precisa de políticas que incentivem investimentos baseados na inovação que promovam emprego qualificado e a fixação de talentos, de projetos que criem e fixem valor, envolvendo todos os atores regionais, mas também de instituições ativas e catalisadoras.

Reitor da UTAD

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