Opinião

O desafio demográfico

O desafio demográfico

Os Censos do INE mostram que vivem em Portugal menos 214 mil pessoas do que há dez anos (menos 2%), tendo a maioria dos municípios perdido população: 257 dos 308 municípios diminuíram de residentes.

Metade da população vive em 31 municípios, concentrando-se ainda mais no eixo litoral, caso da Área Metropolitana de Lisboa e Algarve. Neste contexto, o desafio demográfico tem sido um tema transversal do debate das eleições autárquicas.

Trata-se de um problema nacional que exige uma estratégia global e, no caso do Interior, implica reforçar algumas medidas aprovadas pelo Governo num Conselho de Ministros realizado simbolicamente em Bragança, entre as quais os incentivos aos funcionários públicos que decidam ir trabalhar para o Interior, apoios financeiros para os trabalhadores de PME que se mudem para estes territórios ou estímulos para as empresas investirem. Exige ainda uma política ativa de atração de emigrantes qualificados em áreas determinantes para o desenvolvimento do país.

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Indubitavelmente, este desafio obriga ao empenhamento do poder local, existindo bons exemplos do trabalho das autarquias. Senão vejamos o caso do Fundão, um município do Interior que apostou na atração de empresas tecnológicas e na valorização dos recursos endógenos, atraindo e fixando talento.

De igual modo, urge articular estratégias entre o poder regional, as empresas e o sistema científico, na lógica seguida em regiões europeias desenvolvidas que apostaram na criação de ecossistemas regionais de inovação.

Dito isto, o debate autárquico deve inscrever como prioridade a crise demográfica e o modelo de desenvolvimento para os territórios, enquanto tema transversal a toda a sociedade.

*Docente universitário

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