Opinião

Um ciclo político com maior ambição para o Douro

Um ciclo político com maior ambição para o Douro

As recentes eleições mostram que as apreciações dos eleitores estão politicamente dispersas, exigindo do futuro Governo negociação assertiva para alcançar estabilidade política.

O novo Governo não pode continuar a ser o coveiro de uma parte do país, o interior, com menor representatividade política, atendendo ao atual sistema eleitoral. Neste jogo, há apenas um vencedor, as regiões com mais população. É injusto que o interior, determinante para justificar fundos europeus, não seja beneficiado. A sustentabilidade do país exige uma aplicação inteligente dos fundos que compatibilize questões ambientais com competitividade e equidade regional. Vejamos o caso do Douro.

No início do século XXI, observou-se um considerável investimento em acessibilidades e infraestruturas, com efeitos positivos no Douro. Em contraste, o Programa Nacional de Investimentos 2030 vota o Douro ao esquecimento. Por exemplo, não inclui a Linha do Douro, um corredor ferroviário que une quatro patrimónios mundiais desde o Porto até Salamanca, de enorme interesse para o país, e que deverá ser incluído na política de transportes públicos da UE e na dita descarbonização.

O futuro do Douro também não pode ser desligado da globalização e digitalização da sociedade e da economia, com novos padrões de produção e consumo. O desenvolvimento equilibrado do país, como um todo, exige visão e ações que invertam a tendência de depressão do interior. Exige como missão do novo ciclo eleitoral, políticas e políticos capazes de promoverem entendimentos alargados ao nível central e de regiões como o Douro.

*Reitor da UTAD

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