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António José Gouveia

Viver à custa dos outros

Parasitas. Não, não é o filme coreano que surpreendeu o mundo ao ganhar quatro Oscars na madrugada de ontem. Nem um senhor que tem nome de desenho animado ou de uma onomatopeia de banda desenhada: Bong! Estamos a falar de quem come ou vive custa de outro ou de outros, conforme está escrito no dicionário. Também pode significar inútil e supérfluo. Do grego parásitos, que come à mesa de outro. Toda esta introdução para classificar a leviandade com que os deputados debateram as mais de mil propostas de alteração ao Orçamento do Estado. Como os parasitas fazem tão bem, assistiram-se a jogos de sobrevivência e de estratégia para continuarem vivos, mesmo que à custa das famílias e das empresas, afogadas em impostos. Estes parasitas não puxam pela economia, apenas entregam a quem mais barulho faz e mais poder reivindicativo tem. À Direita, escandalize-se quem voltar a ouvir o CDS ou o PSD criticar o Governo por excesso de carga fiscal. Tiveram a oportunidade de a baixar. Não só pela sua performance no tema do IVA da eletricidade, mas também pela ausência absoluta de propostas para reduzir a fiscalidade, principalmente das empresas, o motor de qualquer economia. No IVA da luz, o PSD perdeu-se na noção daquilo que realmente queria lutar e o CDS, taticamente, colocou-se ao lado do Governo. À Esquerda, as nuances são diferentes mas não deixam de ter semelhanças à comédia negra com assinatura do realizador sul-coreano Bong Joon-ho. O PCP, em vias de mudança de líder, apesar de Jerónimo de Sousa dizer que não vai "calçar as pantufas", não está interessado em eleições e, por isso, está de pedra e cal no apoio a Costa. O Governo conseguiu dividir para reinar e prometer que para o ano é que é a verdadeira baixa de impostos. Deveria ser para ontem. Precisamos de investimento e esse não é o Estado que o faz. Pelo contrário, pesa e de que maneira.

António José Gouveia

Fazer turismo numa Arábia Saudita pouco apetecível

Mas alguém se lembraria de passar férias na Arábia Saudita? Se sim, agora já é possível. O reino ultraconservador que faz execuções públicas, que asfixia completamente as mulheres e em que o consumo de álcool é altamente punido, decidiu, pela primeira vez na sua história, criar um visto de turismo. A medida, que torna acessível um país fechado sobre si mesmo, constitui um dos pilares das reformas impulsionadas pelo príncipe herdeiro Mohamed bin Salman.

António José Gouveia

Desamores à Esquerda

Por cada vez que o PS de António Costa faz uma crítica ao Bloco de Esquerda, ganha votos à Direita. É essa a estratégia socialista e resulta ainda melhor quando Catarina Martins responde de língua afiada. Ao desabafo de António Costa de que "um PS fraco e um Bloco de Esquerda forte significa ingovernabilidade", a líder bloquista responde ao primeiro-ministro de que um desejo de uma maioria absoluta pode "levar à arrogância e à tentação de fazer caricaturas".