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António José Gouveia

Fazer turismo numa Arábia Saudita pouco apetecível

Mas alguém se lembraria de passar férias na Arábia Saudita? Se sim, agora já é possível. O reino ultraconservador que faz execuções públicas, que asfixia completamente as mulheres e em que o consumo de álcool é altamente punido, decidiu, pela primeira vez na sua história, criar um visto de turismo. A medida, que torna acessível um país fechado sobre si mesmo, constitui um dos pilares das reformas impulsionadas pelo príncipe herdeiro Mohamed bin Salman.

António José Gouveia

Desamores à Esquerda

Por cada vez que o PS de António Costa faz uma crítica ao Bloco de Esquerda, ganha votos à Direita. É essa a estratégia socialista e resulta ainda melhor quando Catarina Martins responde de língua afiada. Ao desabafo de António Costa de que "um PS fraco e um Bloco de Esquerda forte significa ingovernabilidade", a líder bloquista responde ao primeiro-ministro de que um desejo de uma maioria absoluta pode "levar à arrogância e à tentação de fazer caricaturas".

António José Gouveia

EDP, a viúva-negra

Ainda não foi votado nem sujeito a alterações, mas o relatório preliminar elaborado pelo deputado do Bloco de Esquerda Jorge Costa evidencia que, nos últimos anos, os consumidores andaram a pagar muito mais pela eletricidade do que aquilo que deviam. Nem vou falar aqui que a EDP foi beneficiada porque, tal como na Caixa Geral de Depósitos, a elétrica foi usada e usou dos vários governos que permitiram as tais rendas excessivas que o relatório do inquérito parlamentar parece apontar. Para já, há uma premissa importante: os factos que o inquérito analisa são referentes a uma empresa semipública em que os governos tinham, não só uma influência política, como também o peso acionista de quem mandava. Ou seja, quem esteve à frente dos executivos poderia decidir o que entendia sobre a política energética e, acima de tudo, definir o que a EDP deveria fazer. O problema aqui é que, quem transferiu dívidas dos consumidores para o sistema tarifário, foram os próprios governos, principalmente os liderados por José Sócrates e Passos Coelho, que utilizaram a empresa para tapar buracos das contas públicas: ou através dos lucros da empresa ou da sua privatização. António Mexia, até ver ou ser provado, apenas fez o que os acionistas pediam. Como presidente-executivo entregou resultados. Muito elogiado na altura, muito criticado agora. Terá a EDP influenciado as políticas governativas de forma a que a empresa e os seus gestores fossem beneficiados? Será uma resposta a ser dada pelos tribunais. O relatório preliminar faz várias recomendações, entre as quais que a empresa, completamente privada, faça o ressarcimento de alguns ganhos que os contratos e as leis na altura permitiram. E são às centenas de milhões de euros. Desde os famosos CMEC, às tarifas das eólicas ou à extensão do domínio hídrico. Tal como o Governo de Passos Coelho "alindou a noiva" para a sua venda aos chineses, quer-se agora tornar a noiva uma viúva- -negra.

António José Gouveia

Tio Celito

Se perguntar a um português quem é o tio Celito, responderão que talvez seja um artista do circo Cardinali. Se perguntar a um angolano, dirá que é Marcelo Rebelo de Sousa. O presidente da República inicia hoje uma visita oficial àquele país que o batizou carinhosamente como tio Celito, quando, em setembro de 2017, se deslocou a Angola para a tomada de posse de João Lourenço. Como vem sendo normal, o presidente dos afetos conquistou o coração dos angolanos, mesmo numa altura em que as relações entre os dois países estavam bastante turvas por causa do "irritante" caso de Manuel Vicente e os tribunais portugueses. De lá para cá, em setembro do ano passado, António Costa esteve em Luanda a pisar o solo angolano em mocassins e calças de ganga, o presidente daquele país africano passou por Portugal em novembro para anunciar que está a "construir uma nova Angola". A base do novo país é, para João Lourenço, um verdadeiro combate à corrupção e a tentativa de fazer crescer uma economia fragilizada assente no sabor das cotações internacionais do petróleo. E claro, diminuir ao máximo o poder do seu antecessor José Eduardo dos Santos e da sua família. O seu grande desafio é fazer atrair investimento, e não necessariamente português. Por isso, iniciou desde a sua tomada de posse vários périplos a países que têm mais poder de fogo nesse aspeto, como a França ou a China. O primeiro com fortes investimentos na área do petróleo e o segundo como principal financiador daquele país. E qual é o papel de Portugal no meio dos titãs? E que, no mundo dos negócios, a língua em comum é importante mas não fundamental. Os portugueses têm de deixar de exportar para passar a produzir em Angola. Esse é o passo a sério que tem de ser dado. Mas para isso, João Lourenço terá de dar mais confiança a quem investe. É que a corrupção não termina de um dia para o outro. E o tio Celito pode ajudar.