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António José Gouveia

A guerra do gás

A verdadeira guerra de Putin contra o Ocidente já se havia iniciado há alguns meses com a chantagem dos cortes de petróleo e gás através dos gasodutos que ligam a Rússia à Europa. Esta semana, esse conflito agravou-se quando a Gazprom, a empresa energética controlada pelo Kremlin, decidiu por uma suspensão sem data de fornecimento de gás através do gasoduto Nord Stream I, afetando principalmente a Alemanha. Esta medida chegou poucas horas depois de os ministros das Finanças do G7 reafirmarem a intenção de impor um teto ao preço do crude russo. Não há muita margem de dúvida que o gesto da Gazprom é de caráter político e representa um novo passo na escalada de confrontação com o Ocidente. Está claro que o objetivo de Putin é exacerbar as turbulências que afetam as economias da Europa, incluindo Portugal, no sentido de quebrar a determinação no apoio à Ucrânia.

António José Gouveia

De bolsos vazios

A inflação voltou a escalar mais do que o previsto e não há maneira de a parar, quanto menos fazê-la descer. O anúncio do Instituto Nacional de Estatística de que, em junho, esta atingiu os 8,7% supõe que se coloque um novo travão nas expectativas económicas do país. Há mais de 30 anos que não se via um valor tão alto e, por trás desta subida, encontra-se, sem margem para dúvidas, o disparo dos preços da energia que, apesar dos esforços do Governo, não consegue controlar os efeitos da guerra na Ucrânia nos mercados internacionais. Está claro que as medidas tomadas para parar o preço dos combustíveis já foram absorvidas pelo mercado. E como aumentam os preços dos combustíveis, sobem também os da alimentação, bebidas e transportes, atingindo mais duramente as famílias com menos recursos.

António José Gouveia

Combater o "glutão"

Christine Lagarde avisou e aí está. Para travar a inflação, o Banco Central Europeu vai subir a taxa diretora em 25 pontos base na reunião de julho, mês no qual termina a compra de ativos. Dito assim, para o comum dos cidadãos, parece mais uma decisão que em nada vai influenciar o nosso dia a dia. Mas não. À partida, parar a subida dos preços é sempre bom para todos. E se os planos do BCE estiverem corretos, voltaremos a ter uma inflação de 2% em março de 2024 contra os atuais 6,8% previstos para o final deste ano. Quer isto dizer que os combustíveis, a eletricidade ou as matérias-primas vão baixar de preço? E por consequência tudo que está associado a estes três vetores? Não. Os preços não voltam atrás, apenas abrandam. Por isso, esperam-se tempos difíceis, principalmente se os salários não acompanharem o "glutão" das notas e moedas.

António José Gouveia

Situação de "perde ou perde"

Os indicadores claramente positivos de Portugal em termos de crescimento económico, como uma redução do desemprego, um aumento das exportações e um crescimento moderado da riqueza do país depois de dois anos de pandemia, podem estar em causa num futuro ao virar da esquina. Portugal, sempre dependente do espetro internacional, pode ver-se confrontado com a turbulência evidente da inflação alta em muitas das principais economias. A dupla crise da pandemia e da guerra na Ucrânia desencadeou um conjunto de elementos que agora promovem um ciclo de alta dos preços. Os Estados Unidos e a União Europeia, incluindo Portugal, registam taxas de inflação desconhecidas há décadas.

António José Gouveia

Dar música a Putin

Praticamente na mesma altura em que a Finlândia anunciava formalmente a candidatura de adesão à NATO, um ato político de forte impacto mediático acontecia também em Turim, Itália. A Ucrânia vencia o festival da Eurovisão com a Kalush Orchestra a esmagar com os votos do público europeu. Ou seja, à medida que a invasão russa à Ucrânia se aproxima da marca dos três meses, quase toda a Europa parou no sábado para homenagear o esforço de resistência do povo ucraniano. Depois da Rússia ter sido banida do concurso logo no início da guerra, Putin volta a juntar duas derrotas numa só: mais isolamento para Moscovo dos grandes palcos internacionais e vizinhos cada vez mais desconfiados das verdadeiras intenções do Kremlin. Depois de 75 anos de neutralidade, a Finlândia não quer voltar a viver a "Guerra de Inverno", quando, em 1939, mais de 400 mil soldados, milhares de tanques, aviões e artilharia pesada invadiram o país. Se Putin não queria a adesão da Ucrânia à NATO, os seus movimentos bélicos provocaram agora uma Aliança Atlântica plantada em mais 1300 quilómetros na sua fronteira com a Finlândia. Isto sem esquecer que a Suécia será a próxima.

António José Gouveia

Da leveza à dureza

1. A vida normal não pode esperar. E todos já sabíamos que, provavelmente, este será o futuro. Espanha deverá ser o primeiro país a mudar radicalmente os protocolos para conter a doença a bem das relações humanas e da economia e a começar a olhar para a covid como uma simples gripe. A nossa clarividência em relação ao SARS-Cov2 é cada vez maior. Pelo que tem de ser acompanhada por protocolos cada vez menos rígidos, à medida que mais pessoas tenham tido contacto com o vírus, tendo em atenção que a larga maioria da população já está vacinada. O Governo espanhol prepara-se para mudar tudo. Ou seja, sem contar os casos e sem pedir provas ao menor dos sintomas. Ou seja, observar a covid como mais uma doença respiratória. Este é passo que tem tudo de perigoso e de corajoso, mas Pedro Sánchez está disposto a avançar. Uma estratégia que, segundo o jornal "El País", estava a ser preparada desde o verão de 2020 e deverá ser implementada depois de controlada a sexta vaga. Por cá, com eleições à porta, nem Governo nem oposição querem falar sobre uma estratégia de combate ao vírus. É mais importante o tema da prisão perpétua ou se os cidadãos podem ou não quebrar o isolamento para votar, como se isso já não estivesse mais do que esclarecido.