Opinião

A arma da vacinação

Os países têm as suas metas na luta contra a covid. Uma delas é comum: 70% da população vacinada o mais cedo possível, para atingir a imunidade de grupo. Todos os políticos o assinalam, inclusive o nosso primeiro-ministro que, anteontem, falou em "libertação total da sociedade".

Portugal, com quase metade da população completamente vacinada, não está longe desta meta. Apesar dos esforços, estamos novamente no meio de uma quinta vaga, com o mesmo a suceder nos países campeões mundiais de vacinação. No Reino Unido, primeiro, e depois nos Estados Unidos e Israel. Tudo impulsionado pelas novas variantes.

Os dados confirmam que as vacinas funcionam a nível individual, mas deixam no ar que a tal parede dos 70% da população imunizada poderão não ser suficientes para derrotar a pandemia. Os especialistas começam a duvidar desta quimera e estão agora mais virados para um futuro em que o vírus viverá connosco muito mais tempo.

Daí que os esforços se estejam a concentrar em vacinar toda a população. Esse desvio estratégico em muitos países, principalmente os europeus, está a colocar um problema de procura. A task force já admitiu falta de vacinas, para justificar a impossibilidade de autoagendamento para maiores de 23 anos.

Com a mesma situação se debatem os Estados Unidos, o Reino Unido, a Alemanha ou Israel. Pergunto onde irá a ministra da Saúde encontrar vacinas de outros países para suprir as faltam em Portugal?

Superados os escolhos iniciais de produção e assegurada a imunização dos mais vulneráveis, os líderes políticos estão agora a ressurgir com outros discursos. Ou seja, como a vacinação é um êxito, os governos, independentemente da cor ideológica, estão a colar-se a ele.

E, pelo contrário, a oposição ganha incentivos para questionar os métodos. Vozes da extrema-direita à extrema-esquerda questionam os governos não com dados precisos ou estatísticos, mas com adjetivos. E isso viu-se ontem no debate do estado da nação.

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*Editor-executivo

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