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A cara feia do Facebook

A cara feia do Facebook

O Facebook (agora Meta) ameaçou abandonar a Europa. Aliás, como já tinha feito em setembro de 2020. Porquê?

Numa comunicação ao regulador de mercados dos Estados Unidos, insinuou que poderia retirar o Facebook e o Instagram da Europa se as autoridades não deixassem que os dados dos utilizadores europeus fossem enviados para os seus servidores na América. Já é uma guerra antiga e tem a ver com uma decisão do Tribunal de Justiça Europeu que, em julho de 2020, proibiu o envio com o argumento de que os Estados Unidos "não garantiam o nível de proteção adequado" da privacidade e impôs uma multa de 4% dos lucros anuais da empresa de Mark Zuckerberg, caso incumprisse a ordem. O Facebook fez cara feia, apesar de outras empresas americanas como a Google, a Amazon ou a Apple terem acatado a decisão. Isto porque o verdadeiro negócio do Facebook já não é aproximar as pessoas e facilitar a comunicação entre elas, mas sim a exploração massiva dos dados dos utilizadores destinados ao mercado publicitário. Esta demonstração de soberba da multinacional norte-americana está a ter fortes reflexos: extraviou-se cerca de meio milhão de utilizadores nos últimos três meses do ano passado e, muito pouco tempo depois, perdeu um quarto do seu valor em bolsa - cerca de 176 mil milhões de euros, quase equivalente a toda a riqueza de Portugal. Uma das que mais contribuíram para este descalabro foi a Apple. O seu novo sistema operativo, o IOS 14, faz com que as aplicações peçam permissão explícita aos seus utilizadores para rastreá-los. Ora, poucos são os que aceitam. Outra situação tem a ver com a regulação europeia. A nova lei dos serviços digitais, aprovada pelo Parlamento Europeu, limita ao máximo a segmentação dos dados com fins publicitários. Caso a lei seja aprovada pela Comissão, o Facebook estará em muito maus lençóis. Há quem tenha a esperança de que esta seja a machadada final para que Zuckerberg abandone a Europa, mas tal não acontecerá. É que esta chantagem já foi feita na Austrália e o Facebook ainda anda por lá.

Editor-executivo

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