Opinião

À espera do salvador

O Parlamento acabou, esta sexta-feira, por aprovar o Orçamento Suplementar. Perante o monstro que é a pandemia da covid-19, era essencial que o que foi pensado em dezembro em termos de futuro do país fosse novamente refeito.

Mais despesa pública por conta do lay-off, desemprego, reforço de investimento na Saúde e menos receita por queda na cobrança de impostos. Até aqui, embora com a noção do desastre económico e social, todos de acordo.

O novo Orçamento lá passou com o apoio indireto do PSD, que se absteve, e deu a António Costa o necessário para cumprir o primeiro ano da legislatura, que será necessariamente marcado pela crise.

Fecho de empresas, despedimentos, desemprego e outros fenómenos sociais a que o primeiro-ministro terá de dar resposta. Essa resposta será sempre dependente da evolução da pandemia e os últimos dados não são animadores.

António Costa joga aqui o seu futuro enquanto primeiro-ministro. Justo ou injusto, está nos livros que, perante a crise, no fim, o Governo é sempre culpado, seja aqui ou em outra parte do globo democrático, hoje ou daqui a um ano.

No início desta tragédia, fomos um exemplo para a Europa. Os nossos vizinhos espanhóis, em agonia pandémica, não se conseguiam entender quanto ao rumo a tomar. Pedro Sánchez teve forte oposição em todas a frentes, enquanto em Portugal o triunvirato Marcelo, Costa e Rio davam conta de um entendimento histórico.

Passados estes meses, Espanha está a tentar ressurgir e em Portugal as interrogações são muitas. A decisão do Governo britânico de não incluir Portugal, ao contrário de Espanha e de Itália, nos países em que não é necessária quarentena no retorno foi uma machadada inimaginável no turismo.

Enquanto em Portugal era aprovado um Orçamento Suplementar, em Espanha, o Governo, sindicatos e patrões assinavam um pacto com linhas essenciais para reativar a economia. Por aqui, estamos à espera de um salvador chamado António Costa e Silva...

*Editor-executivo

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